Deve ser da minha masculinidade tóxica

Nota à la Minuta
Terça-feira, 18 Maio 2021
Deve ser da minha masculinidade tóxica
  • Alberto Magalhães

 

 

Vale a pena referir, para início de conversa, que considero indiscutível a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, independentemente de factores mais ou menos identitários como a ascendência e o tipo de berço, o sexo e as preferências sexuais, a cor da pele, a profissão, ou o estatuto social. Sou sensível ao bullying e ao desrespeito e nunca apreciei anedotas sobre “pretos” ou “loiras burras”.

Talvez por isso, acho mesmo irritante o activismo pela igualdade, quando descamba na velha máxima orwelliana, “todos os animais são iguais, mas há uns mais iguais que outros”, ou quando se desvia do mandamento “trata o outro, como exiges ser tratado por ele”.

Vem esta conversa toda a propósito de um anúncio da EDP, em que uma senhora nos informa do seguinte (e cito): “O meu João é muito quadrado. Já o era quando o conheci… e continua. Não há nada a fazer. É mesmo… quadrado…. quadrado, quadrado, quadrado, qua.dra.do…”. Isto parece ser publicidade-tipo de uma sociedade patriarcal? Não.

Numa sociedade patriarcal a EDP poria o João a dizer algo como: “A minha Joana é muito burra. Já o era quando a conheci… e continua. Não há nada a fazer. É mesmo burra.” No dia seguinte, claro, haveria um vendaval de comentários indignados e a EDP talvez fosse obrigada a suspender a publicidade.

Resta dizer, para terminar, que não é com esta espécie de feminismo quadrado e misândrico que a EDP me convence. Talvez porque a minha masculinidade tóxica me impeça de aceitar insultos com cara de pateta alegre.

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