Dia de todas as mulheres?

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 08 Março 2021
Dia de todas as mulheres?
  • Alberto Magalhães

 

 

Hoje, celebra-se o Dia Internacional da Mulher, criado na 2ª Conferência Internacional de Mulheres, em 1910, por proposta de Clara Zetkin, jornalista, sufragista e fundadora, quatro anos depois, da Liga Spartacus, movimento marxista dissidente do partido social-democrata alemão, e de Alexandra Kollontai, talvez a mulher mais importante da revolução bolchevique de 1917. Tratava-se de instituir uma jornada de luta anual, pelo socialismo e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, a começar pelo direito de voto.

A partir de 1917, evocando uma manifestação de mulheres em São Petersburgo, que serviu de rastilho para a queda do czar, a data fixou-se no dia 8 de Março. Claro que, porventura, Clara Zetkin e Alexandra Kollontai teriam dificuldade em assumir a perspectiva feminista actual, ditada pelo que chamo “vanguarda urbana de colarinho branco” que, cumprida que está, nas democracias liberais, a igualdade perante a lei entre homens e mulheres, destaca, como alvo principal a abater, não já o sistema de exploração capitalista, mas a suposta estrutura patriarcal da sociedade, que ainda impede a paridade nos conselhos de administração das empresas.

Como não quero ser paternalista com as mulheres que vivem em sociedades livres, onde têm os seus direitos garantidos por lei e onde normalmente até estão em maioria, reservo os meus pensamentos prioritários, hoje, para as muitas mulheres no mundo que ainda vivem situações de absurda desigualdade ou mesmo de verdadeiro terror.

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