Dias difíceis e futuro cada vez mais incerto

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 05 Maio 2022
Dias difíceis e futuro cada vez mais incerto
  • João Simas

Há uma guerra em curso entre a Federação Russa e a Ucrânia, mesmo que haja uma linguagem que tente disfarçar a gravidade da situação, seja uns a chamar operação especial, seja de outros que não participam diretamente, mas fornecem armas para a intensificação da guerra.

Já perdemos muito e vamos perder mais.

As sanções atingem sobretudo as populações. Alegadamente seriam os magnatas os alvos das sanções. Mas estes defendem-se e prosperam, até porque nem sequer precisam de ter os bens em nome deles; nada os impede de ter contas na Suíça ou em paraísos fiscais. Pode um ou outro ter um iate apreendido, mas os grandes investidores de há pouco tempo, assim lhes chamavam, vão continuar, tal como outros de outros países.

Aplicaram-se facilmente sanções aos desportistas, músicos e outros. Também a bancos e outras empresas, quebrando a confiança, essencial num sistema liberal e no comércio internacional. Mais difícil é prescindir do petróleo ou do carvão que vem da Rússia e sobretudo do gás. A Rússia exige já o pagamento em rublos, argumentando que não pode vender se não lhe pagarem, visto que as contas estão bloqueadas. A Hungria acede, a Alemanha e outros dizem que o boicote tem que ser faseado, com muitas etapas, ou então a crise vai ser exponencial. Continuam essas transações e mesmo Portugal continua a receber navios russos no porto de Sines. Não é só por falta de oferta que os combustíveis sobem. Bastaria acabar com boicotes ao Irão, Venezuela, Síria ou pressionar a Arábia Saudita a produzir mais petróleo. Entretanto o Ambiente ficou para segundo plano.

Os preços aumentam, com o aumento dos custos da energia que se repercutem em toda a indústria, aumentando os custos de produção, também na agricultura. Entretanto as empresas petrolíferas acumulam ganhos, até a Galp aumentou os lucros em 155 milhões de euros, só no primeiro trimestre deste ano.

A inflação aumenta, as taxas juro sobem, mas os funcionários públicos apenas obtiveram um aumento de 0,9 por cento, longe da pressão inflacionista, tal como noutros empregos do sector privado. A opção pode ser a continuação da emigração dos jovens e a falta de gente preparada que faz falta por aqui.

A liberdade de informação e expressão está pelas ruas da amargura. Não sabemos o que se passa noutros lados, há televisões e outros media proibidos, não sabemos o que pensam, por exemplo, os ainda há pouco dez milhões de russos cidadãos da Ucrânia, além de outras minorias. Mistura-se propaganda com informação. Nesta guerra, diz-se que já foram mortos cerca de 25 000 soldados da Rússia, mas não há corpos; só aparecem mortos civis do lado ucraniano. O exército ucraniano e outros acertam sempre em alvos militares; os outros só destroem escolas e hospitais: Os que fogem para outros países da Europa são refugiados; os outros são deportados.

Sabemos que há um invasor e um invadido. Mas não podemos aceitar que chamem democracia a um estado que proíbe partidos, impõe uma única língua e não respeita minorias.

Tratam-nos como se não pudéssemos pensar, como se fossemos obrigados a repetir o discurso maniqueísta ou então manter o silêncio. As redes sociais fazem também censura. Apela-se à ilegalização de partidos e associações, promovida por gente que o povo português recebeu com solidariedade.

Rearma-se a Europa, num caminho perigoso, esquecendo que há países europeus que foram, no século XX, ainda não há muito muito tempo, responsáveis por alguns dos maiores massacres e genocídios da História Mundial. Entretanto a extrema-direita cresce em vários países, normaliza-se, e diabolizam-se os suspeitos do costume.

Até que enfim que o secretário-geral da ONU começa a ter alguma intervenção. Felicitemos também o Papa por procurar um caminho para a paz.

Felizmente, em Évora, houve algum bom senso na aprovação tardia do orçamento municipal. É sempre melhor haver alguma negociação do que deitar abaixo. A vida tem que continuar.

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