Dispêndios em tempos de pandemia

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 05 Fevereiro 2021
Dispêndios em tempos de pandemia
  • Rui Mendes

 

 

A pandemia está no seu auge, pese embora o número de novos casos apresenta sinais positivos, resultantes do confinamento em que nos encontramos.

O ataque à pandemia também se vai fazendo através da vacinação. Neste campo o processo de vacinação está envolto em polémica.

Esta semana a comunicação social foi dando conta dos inúmeros casos de vacinações indevidas, de quem utiliza os lugares que ocupa para entrar na primeira fase de vacinação, incluindo seus familiares ou outros.

É de lamentar todas estas situações, que mostram irregularidades por parte de quem mandou ministrar as vacinas, ou oportunismo por parte dos que foram vacinados, sabendo que não era o seu tempo de vacinação, a fase destinava-se apenas à vacinação dos grupos prioritários. A responsabilidade destas vacinações será de alguém. Alguém terá de responder por elas.

António Costa quando confrontado com estas práticas referiu: “Quem não cumpre as regras de vacinação deve ser punido”.

Esperemos, pois, que as entidades competentes apurem a veracidade de todos os casos conhecidos, e que atuem. E vamos acreditar que as investigações terão consequências.

A demissão do Coordenador da taskforce para a vacinação é resultado deste descontrole na aplicação da vacinação, pelo incumprimento de vacinar apenas os grupos identificados para serem vacinados nesta primeira fase. Todos os outros terão de aguardar pelo seu tempo para serem vacinados.

Se nada acontecer, e não falamos apenas em investigar os casos, então estaremos, mais uma vez, perante um Estado a falhar.

 

Mas esta semana também fomos confrontados com os indicadores económicos.

Em 2020 o Produto Interno Bruto do país caiu 7,6%, o equivalente a 15,4 mil milhões de euros.

Durante o ano de 2020 a dívida pública continuou o seu ciclo ascendente, batendo sucessivos recordes. O rácio da dívida pública relativamente ao PIB atingiu os 133,7%, ou seja, 270,4 mil milhões de euros. Cresceu num ano 20,4 MM€, um valor superior aos 15,3 mil M€ dos fundos comunitários que serão recebidos a coberto do Plano de Recuperação Europeu, a título de subvenções, no período de 2021 a 2026.

Se por agora a pandemia poderá distrair-nos da situação económica do país, estejam certos de que a curto/médio prazo passará a ser, mais uma vez, um problema dramático que nos afetará de forma brutal.

Se o combate à Covid em Portugal não corre bem, o controlo da despesa pública também não.

Enfim, são os resultados que este Governo nos apresenta.

Estamos a caminhar, mais uma vez, para uma recessão. Fica o alerta.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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