Diz que há por aí um Orçamento…

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 21 Novembro 2022
Diz que há por aí um Orçamento…
  • Bruno Martins

 

 

Carlos Costa, ex-governador do Banco de Portugal, trouxe a sua claque para denegrir António Costa e o Partido Socialista. É uma claque que conhecemos bem, encabeçada por Passos Coelho e seus amigos, que representam a direita mais trauliteira, conservadora e austeritária de que há memória. Uma direita que se tem alimentado de casos para atacar o Governo.

Não está em causa o fundamento de cada caso, que representam o que já conhecemos ser a prática do PS, mas este alimento da direita, quais abutres, representa algo de muito claro: não há qualquer política à direita alternativa a este Governo, até porque a política atual do PS está muito próxima do que a direita nos proporia.

O PS ri-se. Aliás, o PS sente-se mais do que confortável com esta estratégia da direita. Entre os ataques mediáticos mais finos de PSD e os ataques mais populistas da extrema-direita, o debate do Orçamento do Estado fica esvaziado e em segundo plano. António Costa agradece.

Entretanto, esta semana ficará marcada pela votação na especialidade e a votação final global do Orçamento do Estado para 2023. E tanto jeito dá que este debate passe despercebido.

Este é um Orçamento marcado pelo empobrecimento geral de quem vive do seu trabalho, do corte permanente das pensões, da ausência de resposta ao aumento das faturas energéticas e da falha ao investimento estruturante que tanto necessitam o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública. Um Orçamento que não apresenta quaisquer medidas reais de correção do empobrecimento da população e que escancara as portas à concentração da riqueza nos grandes grupos económicos.

A folga orçamental permitiria a introdução de medidas essenciais de que são exemplo: a atualização dos salários e pensões à inflação, a necessidade de baixar o IVA da eletricidade e do gás para 6%, o reforço do SNS e o impedimento da privatização dos seus serviços, o reforço da ação social e maior apoio no acesso à habitação de estudantes, a eliminação dos vistos gold, e o controlo do preço de todas as rendas e do crédito à habitação. O PS prepara-se para recusar qualquer uma destas propostas que o Bloco de Esquerda apresenta na especialidade.

Este é o rumo de uma maioria absoluta do PS: confortável com a ausência de uma oposição efetiva da direita, rindo-se perante a existência de casos mediáticos e prosseguindo uma política de empobrecimento. Enquanto isto, o povo assiste mais ou menos sereno, mas cada vez mais perto do abismo. Espero que não acordemos tarde demais.

Até para a semana!

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