Do Lava Jato ao Vaza Jato

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 13 Junho 2019
Do Lava Jato ao Vaza Jato
  • Alberto Magalhães

 

 

Sérgio Moro, ministro brasileiro da Justiça, enquanto juiz do processo “Lava Jato”, portou-se muito mal no que se refere à construção da acusação contra Lula da Silva. Uma série de mensagens trocadas com o Ministério Público, agora divulgadas pela edição brasileira do jornal online Intercept, revelam a colaboração proibida entre o então juiz Moro e os procuradores federais.

Um exemplo do monstruoso comportamento do agora ministro da Justiça? A investigação do Intercept dá para perceber que o procurador Deltan Dallagnol punha em dúvida as provas contra Lula – no caso do suborno com um triplex, com que teria sido corrompido e que o conduziu à prisão – e mantinha a dúvida horas antes do caso ser publicamente denunciado. Invertiam-se assim, grotescamente, os papéis, com o juiz a querer acusar e o procurador a tentar ser imparcial.

Ao processo “Lava Jato” segue-se agora o caso já chamado de “Vaza Jato”, com Sérgio Moro, cheio de lata, a negar quaisquer anormalidades no processo ou falta de imparcialidade da sua parte, e a Procuradoria-Geral a assobiar para o lado e a queixar-se de ter sido vítima de um ataque de piratas informáticos.

As revelações ainda agora começaram. Por isso, Bolsonaro mantém, cautelosamente, o silêncio sobre o caso. Pelos vistos, eu tinha razão quando em Janeiro do ano passado dizia do caso do triplex, alegadamente oferecido pela OAS a Lula da Silva: “a ausência absoluta de provas de que o então o presidente tenha favorecido a empresa aconselharia absolvição”.