Do milagre à depressão – I

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 22 Junho 2020
Do milagre à depressão – I
  • Alberto Magalhães

 

 

Já sabemos do que a casa gasta. Passamos do milagre português à crise depressiva, enquanto o diabo esfrega um olho. Há que ter calma – digo eu – e manter o equilíbrio nas nossas avaliações. Há que reflectir sem precipitações. Vejamos, hoje, o problema das festas jovens.

Então os maravilhosos jovens que se portaram tão bem, durante três meses, de repente, tornaram-se arruaceiros que propagam o vírus em festas ilegais? Então, na manifestação de milhares de jovens e não-jovens, contra o racismo, ninguém infectou ninguém, e algumas centenas de jovens no estacionamento da praia de Carcavelos, servem de bodes expiatórios, tornando-se preocupação do país inteiro?

E a responsabilidade de quem deveria ter impedido as excepções ao confinamento e não as impediu e olhou para o lado e só viu total cumprimento das regras? Não sabiam que as crianças e jovens aprendem com o exemplo e não perdoam a Frei Tomás, pregar o que não faz? Já não se lembram de quando eram jovens machos, cheios de testosterona, e jovens fêmeas, em plena maturação afectivo-sexual, e de como precisavam de “aproximação social”?

Pediram-lhes para ficar em casa, meses a fio, enquanto minavam a sua confiança na palavra adulta, com mensagens contraditórias e maus exemplos. Agora acusam-nos de irresponsabilidade, porque deixaram de acreditar no perigo, quando os critérios de desconfinamento começaram a parecer cada vez menos congruentes, de situação para situação?

Então, agora a táctica é assustá-los, convencendo-os de que o vírus também é perigoso para os mais novos? Não será uma táctica ligeiramente terrorista? Não seria melhor conquistá-los?

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