Do Minnesota até ao Porto

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 08 Junho 2020
Do Minnesota até ao Porto
  • Alberto Magalhães

 

 

Nelson e Winnie Mandela, um casal que durante décadas simbolizou a luta anti-apartheid na África do Sul, também passou a simbolizar os caminhos contraditórios na luta anti-racista. Nelson, 27 anos preso, procurando a paz e a reconciliação, procurando a justiça e não a vingança. Winnie, mandando torturar e executar alegados informadores da polícia, e mostrando-se defensora irredutível, suponho que até à sua morte em 2 de Abril deste ano, do caminho da retaliação violenta e vingativa.

Esses dois caminhos, inconciliáveis, têm sido visíveis a propósito da morte do negro George Floyd, nos EUA, às mãos de polícias ilicitamente violentos. Em Portugal, no passado sábado, milhares de pessoas saíram à rua, em sintonia com a revolta em curso na América. Os movimentos anti-racistas portugueses aproveitaram a boleia para denunciar o racismo lusitano. Outra coisa não seria de esperar.

Ana Gomes aproveitou também para se fazer ver a marchar em Lisboa. Lamentavelmente, e decerto por distracção, não viu nenhum atropelo às regras recomendáveis para evitar contágios virais. Marchasse no Porto e talvez lhe tivesse escapado também um grande cartaz que dizia. “Do Minnesota até ao Porto, bom polícia é polícia morto!!”. Claro que, desta vez, não serão os defensores politicamente correctos das minorias a protestar contra o estigma posto em toda uma classe profissional e a pedir castigo para o incitamento ao ódio e à violência contra esse grupo de pessoas. A iniciativa pertencerá, desta vez, à Associação Sindical dos Profissionais de Polícia.

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