Do S. João ao S. Pedro 4 dias 5 são

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 02 Julho 2018
Do S. João ao S. Pedro 4 dias 5 são
  • Maria Helena Figueiredo

 

24 de Junho, dia de S. João

O coro polifónico Eborae Musica apresentou-se na Catedral de Chartres. Mostrou algumas das obras da polifonia da Escola da Sé de Évora dos sécs XVI e XVII.

Foi aplaudido de pé por mais de três centenas de espectadores.

Chartres, cidade geminada com Évora. Cidade em que o património é pedra central do desenvolvimento.

Como em Évora, não há obra que se faça na zona histórica sem que os trabalhos sejam acompanhados por arqueólogos. A Câmara de Chartres tem nos seus quadros 50 arqueólogos e contrata outros quando necessário.

O departamento de arqueologia da Camara de Chartres vende serviços em toda a França, ajudando assim o seu financiamento.

E por cá? Departamento de arqueologia na Câmara de Évora? Nem em sonhos e arqueólogos municipais sobram dedos de uma mão quando os contamos.

Mas S. João é Feira.

E como vai a nossa Feira de S. João? A cada ano que passa vai ficando mais pobre, mais vazia. Cada vez com menos mostra de actividades económicas, menos feirantes, menos vida.

Este ano, que não era ano de eleições, a representação institucional das autarquias sumiu-se e até o tradicional espaço jovem foi repontado, cedendo o lugar, mais nobre, à mostra de carros.

As clareiras de espaços vazios são constrangedoras.

A Feira de S. João é uma marca identitária forte da cidade e por isso é importante que seja devidamente tratada pelo executivo municipal. Este ano o episódio com o sorteio que excluiu a tradicional roulotte de farturas do Abrantes, mostra bem a forma como a feira é organizada.

A CDU há anos que vai prometendo o “grande debate” sobre a Feira, mas isso é quando está em campanha, porque há 5 anos que lidera a Câmara Municipal com maioria absoluta e debate viste-lo. Nem grande nem pequeno. Quase que apetece dizer que temos tabu.

29 de Junho, Dia de S. Pedro

Por cá celebrava-se o dia da Cidade, enquanto em Bruxelas o Conselho Europeu acabava a fechar um dos acordos mais vergonhosos da sua história, adoptando uma verdadeira política de extrema direita contra os migrantes que são resgatados do Mediterrâneo.

Enquanto a Itália fecha os seus portos aos navios de ONGs que fazem o resgate de migrantes e Salvini, vice primeiro ministro nacionalista de extrema direita, diz que estes só verão Roma em cartões postais, os líderes da União Europeia aprovaram um reforço de medidas de contenção da sua entrada na Europa e preparam a instalação do que, eufemisticamente, designam por centros de triagem de refugiados e centros de desembarque regionais, ou seja, chamando os bois pelos nomes, campos de detenção no norte de África, mas também em território europeu.

Foi um Conselho que para satisfazer o chamado grupo de Vizegrado, liderado por Órban, 1º Ministro da Hungria, acabou com as quotas obrigatórias para recepção de migrantes pelos países europeus.

António Costa disse que foi uma das reuniões mais horríveis em que participou, mas o governo português podia e devia ter tido uma posição mais corajosa e vetado o acordo.

Resta-nos agora honrar o nosso passado de povo de imigração e exigir que o governo melhore a sua política de acolhimento de refugiados e migrantes, e opor-nos a que no nosso país seja instalado qualquer campo de detenção.

Até para a semana.

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