Dos retrocessos civilizacionais

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 04 Fevereiro 2021
Dos retrocessos civilizacionais
  • Alberto Magalhães

 

 

A pena de morte não me parece uma boa solução, seja qual for o crime que tenha sido praticado ou a fundada convicção da impossibilidade de reabilitação do acusado. Por dois motivos fundamentais: em primeiro lugar, a irreversibilidade do processo, já que a vida me ensinou que nem sempre o que parece é, e vi muitos condenados serem, anos mais tarde, inocentados dos crimes que, aparentemente, teriam cometido; depois, porque, a mesma incerteza quanto à culpabilidade se põe no que respeita à possibilidade de reabilitação. Em resumo, como tenho pela dúvida a maior das considerações, rejeito a convicção dogmática de que precisaria para dar ao Estado o poder de matar em meu nome.

Vem isto a propósito de mais um favor que a esquerda mais exaltada faz ao André Ventura, ao não se focar em rebater o apelo à pena de morte, com estes e outros argumentos, que os há, e se limitarem a agitar a Constituição, juntando à pena de morte a prisão perpétua, como inaceitáveis retrocessos civilizacionais, só passíveis de ser defendidas por trogloditas vingativos sedentos de justiça popular.

Atente-se então nestas duas notícias: o português Marco Silva foi condenado anteontem, no Luxemburgo, a prisão perpétua, por ter assassinado – com premeditação – e queimado o corpo da companheira Ana Lopes. Na Alemanha, na semana que passou, um neonazi foi condenado a prisão perpétua pelo assassínio, em 2019, de um político do partido da senhora Merkel, que defendia o acolhimento de refugiados.

Camaradas, acham mesmo que alemães e luxemburgueses sofrem de “retrocesso civilizacional”?

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