Duas histórias de proveito e exemplo

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 25 Março 2022
Duas histórias de proveito e exemplo
  • Alberto Magalhães

Para última nota da semana guardei duas histórias bem típicas do país que ainda ou já somos, histórias que não se percebe se são para rir ou chorar.

Que terá passado pela cabeça da juíza Catarina Vaz Pires, do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, para aliviar o arguido Mário Machado da obrigação de se apresentar quinzenalmente numa esquadra, possibilitando a concretização do desejo do rapaz ir (e cito) “para a Ucrânia prestar ajuda humanitária e, se necessário, combater ao lado das tropas ucranianas”? O que é certo é que, chegado à Ucrânia, o cadastrado, racista empedernido que já cumpriu uma dezena de anos de cadeia, inclusivamente por crimes de sangue, viu recusada a sua admissão na Legião Internacional ucraniana, pois “a ausência de condenação por crimes, comprovada através do registo criminal” é um dos critérios básicos de entrada. Conclusão, tão idiota como a decisão judicial em causa: anda o Putin a querer desnazificar a Ucrânia e uma juíza portuguesa a querer nazificá-la.

Cristina Rodrigues, enquanto candidata do PAN, por Setúbal, nas legislativas de 2019, deu nas vistas por confessar a uma rádio local que não lera o programa do partido, apesar de, como jurista, ter elaborado muitos projectos de lei. Depois de eleita, deu nas vistas por ter o nome associado ao IRA – Intervenção Resgate Animal, investigado por vários actos ilegais. Alguns meses depois de entrar no Parlamento, deu nas vistas, desvinculando-se do PAN e tornando-se deputada independente. Agora, que deixou de ser deputada, dá nas vistas, anunciando, cheia de transparência, que será assessora (presume-se que jurídica) do grupo parlamentar do Chega. Conclusão mais que simplista: a Cristina pela-se por dar nas vistas.

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