É a política, estúpido

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 10 Fevereiro 2020
É a política, estúpido
  • Alberto Magalhães

 

 

O Congresso do PSD, confirmou a insistência de Rui Rio em posicionar o partido no centro do espectro político. “Não somos, pois, a direita, nem somos a esquerda. Não somos liberais nem conservadores, assim como não somos socialistas nem estatizantes”, definiu ele, logo no discurso inaugural, insistindo que a ideologia do PSD é a social-democracia.

Percebe-se que Rio julgue conveniente disputar o centro político com o partido socialista, desalojando o adversário. Porque, a preferência de António Costa por aliados à sua esquerda, pode fragilizar o PS junto do eleitorado mais moderado. O problema do reeleito presidente do PSD, reside no facto de, chamando-se embora Partido Social Democrata, o seu partido nunca ter sido percepcionado, como tal, desde a sua fundação. Graças ao desequilíbrio para a esquerda, provocado por 48 anos de Estado Novo, os partidos da direita, em democracia, sempre se quiseram apresentar ao centro. Alegadamente ao centro, diria eu.

Assim, apesar de afirmar querer conquistar o centro, Rui Rio tem, e sabe que tem, um PPD/PSD que é, em grande parte dos seus dirigentes, dos seus militantes e, principalmente, dos seus mais fiéis eleitores, um partido pragmático, mais ou menos popular, mais ou menos conservador, mais ou menos liberal e até mesmo neo-liberal, conforme o vento de ocasião.

Agora que a política financeira de Centeno se apoderou das “contas certas”, perceberá Rio a importância de fazer a diferença na política?

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