E Bolsonaro disse nim

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 02 Novembro 2022
E Bolsonaro disse nim
  • Alberto Magalhães

Depois de alimentar, com o seu silêncio, a revolta dos seus apoiantes mais radicais, que cortaram centenas de estradas pelo país fora, Bolsonaro, acredito que muito pressionado por ministros, juízes, congressistas e apoiantes maiores, lá acabou por dizer algumas palavras, 45 horas depois de perder a eleição para Lula da Silva.

O ainda presidente do Brasil lá veio apoiar a indignação dos seus seguidores perante a injustiça do processo eleitoral, mas desaconselhar “o cerceamento da liberdade de ir e vir” e, embora sem o explicitar, reconheceu que só lhe resta liderar a oposição ao próximo presidente e seu governo, por serem dele os 58 milhões de votos contra Lula. O facto dos seus principais apoiantes terem declarado, imediatamente após a eleição, que aceitavam a vitória de Lula, deixou, porém, Bolsonaro isolado na sua atitude de avestruz. Como apontei há dois dias, o bolsonarismo está bem instalado na política brasileira, tem deputados e senadores no Congresso, tem governadores e presidentes de câmara espalhados pelo país, mas resta saber se Bolsonaro consegue manter-se líder das tropas até às próximas presidenciais e se ele, ou outro em vez dele, as consegue manter unidas.

Até por que, Bolsonaro e Lula têm os dois o mesmo problema nas hostes: grande parte delas apoiaram-nos como mal menor, contra o outro candidato. O mais certo, portanto, é que o Brasil, ao contrário das aparências, não esteja dividido em dois blocos, opostos e radicalizados, mas que existam suficientes forças moderadas, capazes de introduzir algum bom senso na luta política brasileira. Lula parece ter percebido isso. Bolsonaro nem tanto.

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