É estranho

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 27 Setembro 2018
É estranho
  • Eduardo Luciano

 

 

O processo de investigação do furto de armas de Tancos ainda não terminou mas chegou a um ponto de comicidade que é impossível ignorar, com a PJ a deter militares da PJM e da GNR por alegado auxílio ao ladrão para devolver os objectos furtados. É estranho.

Um ex presidente da República, conhecido por “a múmia”, resolve prestar declarações sobre o fim do mandato da Procuradora Geral da República referindo-se ao governo em exercício como a “geringonça”. É estranho.

Um deputado europeu eleito pelo PS resolve exigir à Venezuela a libertação “imediata” de empresários portugueses suspeitos de vários crimes, se não…. Se não o quê Assis? Invades a Venezuela? É estranho.

Um economista, amigo do ex presidente da República que trata o governo por uma “alcunha”, resolve voltar à carga com a teoria de que o aumento do salário mínimo é mau para os pobres. O homem tem uma obsessão qualquer com a impossibilidade de diminuir as desigualdades, nem que seja por uns míseros euros. É estranho.

O discurso do líder do regime norte-americano nas Nações Unidas foi a prova de que a estupidez, como diria alguém, tende para a ausência de limite. Teve a vantagem de fazer rir a plateia e é esse o seu maior perigo: o convencimento de que não é para levar a sério. Ninguém se pode esquecer que foi a ser anedota do resto do mundo que chegou onde chegou. Em comum com o Assis tem a ameaça à Venezuela na ponta da língua. Talvez nem seja estranho.

O velho arco da governação voltou a unir-se para construir um quadro legal de transferência de encargos para as autarquias simulando que se trata de uma transferência de competências. Despejar os problemas, envoltos numas notas, para a porta dos municípios e freguesias parece ser coisa que PS e PSD consideram como de grande utilidade. Claro que há uns ingénuos que acreditam que atrás dos encargos virão envelopes financeiros para resolver os problemas que o governo resolve varrer para outro lado e com isso acham que é “muito bom” ficar com a gestão de centro de saúde ou de lojas de cidadão, de escolas e castelos. Deveriam ter aprendido com a experiência da relação com Ministério da Educação. Não aprenderam. É estranho.

Neste mundo de estranhas notas soltas salva-se o humor, ainda que negro, dos que acham que se podem rir de Trump, de Assis ou da anedota da alegada censura a uma exposição em Serralves.

Até para a semana, se não for demasiado estranho desejo.