É impossível ficar indiferente

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 17 Fevereiro 2023
É impossível ficar indiferente
  • Glória Franco

Viva

Cada vez estou mais satisfeita com a minha condição de ateia.
Continuo a acreditar que as religiões são perfeitamente dispensáveis e não têm qualquer fundamentação credível para existirem.
Tendo saído, esta semana, o relatório elaborado pela Comissão Independente que, investigou os abusos na igreja católica, em Portugal, foram identificados, entre os abusadores, padre e outras entidades ligadas à igreja.
Há 512 testemunhos validados relativos a, no mínimo, 4.815 vítimas, embora muitos deles já tenham prescrito.
A maioria das crianças foi abusada quando tinha entre 10 e 14 anos, sendo que a média de idades de 11 anos. Houve, no entanto abusos a uma criança de 2 anos.
Os piores receios foram confirmados. Caíram os parênteses em que estavam encerrados
Agora que se começaram a revelar estas atrocidades não podemos falhar para com as vitimas. É o minino que se pode exigir a um Estado de direito.
Só não consigo entender o que vai na cabeça daquelas e daqueles que continuam a frequentar as igrejas e a seguirem cegamente as doutrinas por estas apregoadas.
Estes testemunhos são relativos a episódios passados, mas não nos podemos esquecer que os abusos não fazem parte dos tempos idos.
Que credibilidade ainda se pode dar a quem está por detrás desta prática abominável?
Não é que eu lhes desse alguma, mas ainda há quem neles acredite.
Muitos destes padres continuam no ativo, cerca de 100, sem sofrerem qualquer tipo de penalização; as estruturas hierárquicas religiosas escondem e branqueiam os crimes.
É-lhes conveniente que tudo passe despercebido, que não se fale do assunto para que tudo fique na mesma. As práticas baseadas no medo são apanágio das religiões, são estas que levam os seus seguidores a obedecer-lhes sem levantares quais quer tipo de questionamentos.
Mas o sofrimento das vitimas não deve, nem pode ser camuflado.
O mundo começa a mudar e já não é possível esconder tais crimes, estes já não passam despercebidos. Estiveram escondidos por detrás dos confessionários, dos internatos, de associações de escuteiros…enfim, por detrás de todas as estruturas ligadas à igreja.
O que vai fazer agora a igreja?
A invisibilidade destes seres odiosos terminou.
O relatório é aterrador, os testemunhos chocantes. Todos sabíamos da existência de abusos sexuais na igreja católica, todos sabíamos que muitas crianças estavam a ser violentadas nos seus direitos, todos conhecíamos as mentes criminosas de alguns dos religiosos, mas ao tomarmos conhecimentos, pela voz das vitimas, tudo se tornou mais claro e mais credível. Os testemunhos falam e revelam as atrocidades a que estiveram sujeitos, revelaram a coragem dos que se dispuseram a falar.
Os bispos vêm aos média pedir desculpas, vêm afirmar que os religiosos prevaricadores serão punidos. Mas a igreja não se pode esquecer que a justiça não é canónica, a justiça é laica e obedece às leis da Republica.
Lutemos para que a prescrição de tais crimes não termine sem que se julguem os culpados.
Aguardemos que o Estado garante a segurança das nossas crianças.

Saudações LIVRE’s
Até para a semana

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