E o Óscar vai para…

Crónica de Opinião
Terça-feira, 11 Fevereiro 2020
E o Óscar vai para…
  • Cláudia Sousa Pereira

 

 

Foi fim-de-semana de Óscares em Hollywood e eu comecei a escrever esta crónica antes da 92a cerimónia desta academia, não só porque já tinha os meus favoritos definidos, mas porque, no meio das últimas idas ao cinema ou de maratonas na TV por cabo, vários “filmes” se foram cruzando comigo e, provavelmente, com o ouvinte/leitor mais atento ao que se passa nos lugares de governação e direcção com responsabilidades a vários níveis.

Talvez os protagonistas da cena política sejam os mais escrutinados e sobre quem se acenderam holofotes mais fortes e durante mais tempo, mas também vamos ouvindo cenas oriundas de desempenhos técnicos que, no mínimo, permitem deixar-nos preocupados. Veja-se o exemplo de um artigo da revista da Ordem dos Médicos, que ouvi num noticiário dos que acontecem à hora certa, anunciando que Portugal nada tinha aprendido com os surtos ou pandemias anteriores e que estava impreparado para o novo corona vírus. Lancei-me em busca do texto completo, assinado por três técnicos, onde eu esperava ter mais alguma informação, já agora, técnica, concreta e útil sobre o que estava em falta. Pois o que li, e que consta do título e de um único parágrafo de um artigo com pouco mais de duas páginas, bibliografia incluída, mais não é do que uma conversa de café. Se este é o contributo que a Ordem dos Médicos dá na transferência de conhecimento, confesso que preferi ver o filme do avião de resgate, a aterrar, a esperar, a levantar e a voltar a aterrar em Beja.

Também tivemos do faroeste duas peças dignas de filme: a resposta de Nancy à grunhice de Trump com o rasgar dos papéis do discurso do estado da nação; e a bronca do Caucus no Iowa, método arcaico, e ridículo, de eleição que ao usar as novas tecnologias foi sabotado pelos Republicanos, num golpe próprio de comédia de adolescentes de domingo à tarde.

Mas talvez a atribuição do Óscar vá, nas diversas principais categorias, para os actores que compõem o semicírculo da Assembleia da República e para a longa-metragem da discussão e aprovação do OE. Houve de tanto: das “plot twists” provocadas por pressão de sindicatos, ou a questão do IVA da electricidade, ou ainda a da incompreensível suspensão das obras do Metro em Lisboa, passando pelo ressuscitar de complexos colonialistas nos dois extremos do espectro partidário, até ao aparte do nascimento de uma nova estrela, ungida pelo destino, no mundo da Política parlamentar. Enfim, tudo espectáculos dispensáveis, que nada acrescentam em abono do público para o qual actuam. Se tudo isto é de gente que se acha preparada para dirigir alguma coisa, não parece. Prefiro usar, também o meu tempo livre, com a ficção nos livros, nos palcos, no ecrã, o que enfim me faz não parar nunca de trabalhar, mas paciência… e saúde e alegrias breves também, já agora! Que foi a que senti com as estatuetas atribuídas a “Jojo Rabbit”, “Parasitas” e “1917”.

Até para a semana.

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