E para Évora? Nada, nada, nada?

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 24 Novembro 2022
E para Évora? Nada, nada, nada?
  • Sara Fernandes

 

 

Falei aqui, na semana passada, sobre as potencialidades do processo de Regionalização para a nossa região Alentejo. Esta questão foi, naturalmente, abordada nos vários discursos do 3º Congresso do Alentejo e os vários projectos necessários para o desenvolvimento da nossa região foram amplificados pelos microfones, o que leva, por vezes, a excessos linguísticos e obriga a dar o dito por não dito quando a coisa fia mais fino.

Enuncio 7 medidas consensuais:

  1. Propostas que permitam a rápida conclusão das obras do Hospital Central do Alentejo. Como devem saber os ouvintes, são necessárias as acessibilidades viárias e infraestruturas de água e saneamento. É necessário que sejam alocados os fundos necessários no Orçamento de Estado, estimados em 8M€. E não estão!

  1. É consensual que se termine a construção do IP2 e se construa a variante Norte à cidade, obra aguardada há mais de 35 anos com alguns dos seus troços assegurados pelas vias alternativas existentes, no caso de Évora, pelo corredor mais desabrigado do Hospital, a Av .S. João de Deus!!!!

  1. É do maior interesse de todos os eborenses que se cumpra a lei e se compense o Município pela isenção de IMI no Centro Histórico. Atenção, não digo que se retire a isenção, tão difícil de conquistar pelos habitantes do nosso intra-muros. Mas o Orçamento de Estado não contempla a compensação devida, prejudicando assim os eborenses por bem preservarem a sua história e património.

  1. Lançar a Lei de Bases para a Habitação e promover as Estratégias Locais, sem garantias de financiamento, lança em saco roto todo o trabalho realizado pela Autarquia. É necessário garantir o financiamento para os programas de promoção de acesso à habitação. Não consta no Orçamento de Estado!!!

  1. Bater palmas e elogiar não chega, o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo e a Biblioteca Pública de Évora não sobrevivem sem o financiamento adequado ao seu funcionamento. Não consta no Orçamento de Estado!!!

  1. Por falar em palmas, nem a necessária contratação dos profissionais necessários ao Serviço Nacional de Saúde em Évora está assegurada pelo Orçamento do Partido Socialista!

  1. Falar de sustentabilidade e participar em eventos mediáticos de projecção internacional é bom, mas sem medidas reais, tudo fica, como se diz em bom português, “em águas de bacalhau”. O programa de redução do preço dos transportes públicos não prossegue sem o reforço do financiamento ao programa de redução tarifária nos transportes rodoviários e ferroviários. Não está assegurado!!!

Na vida política do município acontecem, por vezes, situações inesperadas. Passou-se na Reunião de Câmara Municipal no dia 2 deste mês algo que, até a mim, me surpreendeu.

Apresentada a moção que exigia que estas sete medidas para Évora fossem incluídas no OE2023, eis que os dois eleitos do Partido Socialista votaram contra. Ainda me conseguem surpreender, sim senhora! É pena que pela negativa. É pena que contra Évora.

Até para a semana!

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