E que tal escolher a decência?

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 15 Janeiro 2024
E que tal escolher a decência?
  • Bruno Martins

Caras e caros ouvintes,
Esta é a minha primeira crónica de 2024. Desejando-vos um excelente ano, não posso deixar de relembrar que este ano iniciará com escolhas decisivas para o nosso futuro colectivo.
Não é tempo para o medo. É o tempo da esperança. Sim, Portugal pode ter um projeto maioritário que mobiliza a esperança e que derrota a direita e a extrema-direita.
Baixos salários, ausência de aposta em políticas de habitação, esvaziamento dos serviços públicos tem sido a solução da grande maioria dos anos da democracia. Tem sido a aposta de quem governou este país desde que nasci.
Esta espécie de inevitabilidade tem de acabar. Uma economia que cresce com salários decentes é o mínimo que se pode exigir, e só um projeto de esquerda mobilizador pode trazer essa perspetiva. Aumentar o salário mínimo de forma mais célere para que todos os salários sejam arrastados e impor, desde já, os leques salariais são as soluções mínimas imediatas para dar o choque que a nossa economia necessita, para que esta funcione ao serviço das pessoas.
Não podemos continuar a aceitar que as grandes empresas aumentem pornograficamente os salários dos seus gestores, ao mesmo tempo que beneficiam do trabalho quase escravo dos seus trabalhadores. Para acabar com esta desigualdade são necessários leques salariais, medidas que não permitam que um administrador de uma grande empresa possa ganhar 100, 200, 300 vezes mais que o trabalhador. Uma das formas de o fazer é estabelecer que em Portugal o administrador de uma empresa não pode ganhar doze vezes mais que o trabalhador médio, como propõe o Bloco de Esquerda, evitando assim que um administrador possa ganhar num mês mais do que um trabalhador da sua empresa ganha num ano. Se o administrador se quer pagar a si um salário milionário, então tem obrigação de subir os salários a todos os trabalhadores da empresa.
Os poderosos vivem acima das nossas possibilidades há tempo de mais. Chegou o tempo dos de baixo mostrarem que a alternativa é a vida boa, a vida decente, a esperança e a justiça.
Dentro de pouco mais de um mês e meio faremos escolhas para a Assembleia da República. E que tal escolher a decência?

Até para a semana!

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