É uma vergonha

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 13 Dezembro 2019
É uma vergonha
  • Alberto Magalhães

 

 

Ontem, na Assembleia da República, o comportamento de Ferro Rodrigues envergonhou a memória de Mário Soares e o Partido Socialista (embora tenha recebido um aplauso da sua bancada), ao mesmo tempo que prestava um grande favor ao Chega e ao seu deputado André Ventura. O Observador fez as contas: em oito curtíssimas intervenções no Parlamento, Ventura usou a expressão “é uma vergonha” 22 vezes. Ontem conseguiu, de uma só penada, chegar às 28. Está no seu direito! Dando aos eleitores a oportunidade de se fartarem da sua cassete, ou não.

Agora, o Presidente da Assembleia admoestar um deputado por usar, “com demasiada facilidade”, a palavra “vergonha”, alegando que (e cito) “ofende muitas vezes todo o Parlamento” é uma atitude tacanha e elitista e (enchendo de razão o deputado populista) um atentado à liberdade de expressão. Poderia Ventura facilmente parafrasear Jorge de Sena: “se os puristas da poesia te acusarem de seres discursivo e não-galante, em graças de invenção e de linguagem, manda-os àquela parte”.

Mais grave! Quando Ventura invoca a liberdade de expressão garantida pela Constituição, o Presidente da Assembleia da República responde assim (e vou citar palavra por palavra): “Não há liberdade de expressão quando se ultrapassa a liberdade de expressão dos outros – que é aquilo que o senhor faz na maior parte do tempo em que intervém”.

Se algum ouvinte achar algum sentido nesta frase, desde já lhe peço ajuda. A mim, cheira-me e sabe-me a mediocridade. André Ventura é uma vergonha. Ferro Rodrigues deu em seu ajudante.

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