Ecologia juvenil

Nota à la Minuta
Terça-feira, 28 Maio 2019
Ecologia juvenil
  • Alberto Magalhães

 

 

Conheci o saudoso Professor Eduardo Cruz de Carvalho nos anos 80, quando ele dirigia o Departamento de Ecologia da Universidade de Évora. De tanta coisa que aprendi com ele, há uma de que me lembro, sempre que ouço alguém anunciar a próxima catástrofe ambiental. “Eu não sou ecologista. Não me sirvo da ecologia para fazer política. Eu sou um ecólogo. Estudo e investigo na área da ecologia”, dizia ele, quando o confundiam com essa espécie militante, cada vez mais em voga nos tempos que vão correndo.

Faço aqui um parêntese, para um desabafo que, aparentemente, não tem nada a ver com o já dito, mas que no final se verá que tem. Pois não é que o normal ciclo geracional que, aparentemente durante milénios, governou a continuidade e a descontinuidade entre pais e filhos, entre jovens e adultos, cada qual no seu papel, parece destinado a soçobrar? Pois se competia aos adolescentes desafiar a autoridade, numa saudável ou, por vezes, menos saudável atitude de rebeldia, aos adultos se pedia que estabelecessem regras e limites, que controlassem os excessos juvenis, incluindo as suas reivindicações mais fantasistas.

Agora, em vez de assumirem, como lhes competiria, uma liderança forte e serena, securizante, os adultos comportam-se cada vez mais como compinchas, quando não como seguidores envergonhados, dos miúdos que fazem greve às aulas para lutar contra as mudanças climáticas, exigindo a descarbonização da vida e, talvez, um smartphone e um pó-pó eléctrico.