Um ano fantástico

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 29 Dezembro 2016
Um ano fantástico
  • Eduardo Luciano

Está a chegar um ano novinho em folha, cheio de dias por estrear, de desafios para vencer, de trabalho duro, de incompreensões, de fígados a escorrer bílis, de maledicência, de oportunismos vários e de dolorosas preguiças ancoradas em encolher de ombros.

Será um ano em que morrerão mais uns quantos músicos, escritores e artistas de cinema e as redes sociais se encherão de lamentos de gente que nunca os ouviu, leu ou viu representar.

Será um ano em que nos iremos queixar do calor no Verão, da chuva em Abril, do frio em Dezembro, e voltaremos a afirmar, como todos os anos, que o tempo já não é o que era, embora não nos lembremos exactamente de como era o tempo, quando era o que era.

Pelo menos até Outubro, iremos ter o dirigente máximo do PSD a anunciar o fim do mundo ou a vinda do demónio das profundezas para por um fim a esta maldita experiência governativa.

Quem perder o campeonato de futebol irá acusar o resto do mundo dos erros próprios e garantir que é um universo podre e a precisar de urgente limpeza.

As queixas continuarão a ser as mesmas, em relação às mesmas coisas. Se não acontecer é porque não acontece, se acontecer é porque já deveria ter acontecido e se estiver a acontecer dirão que só quando estiver pronto é que acreditam.

Claro que quando estiver pronto significa que aconteceu e voltamos à indignação do “já deveria ter acontecido há mais tempo”.

Nada se alterará, as surpresas nunca serão surpreendentes, excepto se acontecerem no quintal da vizinha, onde mora sempre uma galinha melhor.

Os optimistas continuarão a ser irritantes e os pessimistas continuarão cheios de razão e de seguidores, com as suas variadas dores.

Os outros, os que não são tão optimistas que vejam a luz onde ela não existe ou tão pessimistas que vão apagar a luz que não existe, continuarão o seu caminho, a fazer aquilo em que acreditam. Com uns dias melhores e outros dias piores, com mais ânimo ou mais desânimo, mas nunca perdendo de vista o objectivo e o que é preciso fazer para o alcançar.

O próximo ano vai ser tão especial que ficará gravado para sempre nas nossas vidas. Tal como este e todos os outros.

Grande ano aí vem. Com 365 dias para viver intensamente, sorrir das aleivosias alheias, dar a cara pelo que acreditamos e lutar. Lutar por um outro futuro colectivo sem esquecer o presente, porque, como dizia o outro, a longo prazo estamos todos mortos.

No último dia deste ano lá estaremos na Praça Grande, com um copo de tinto na mão, a brindar à dita e a saudar o futuro. O tal que será o que quisermos que seja.

Até sábado

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