Eleição do Presidente da AR

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 29 Março 2024
Eleição do Presidente da AR
  • Rui Mendes

Os resultados da eleição do passado dia 10 foram esta semana, pela primeira vez, postos à prova.

A eleição do novo presidente da Assembleia da República foi o teste.

E não terá sido positivo o que foi mostrado aos portugueses. O que deveria ter sido um ato com elevação para a escolha do presidente da AR, transformou-se numa disputa e confrontação que, em nada, contribuiu para a imagem da Assembleia República aos olhos dos portugueses.

De facto, poder-se-á dizer que o Chega ao não validar, numa primeira votação o candidato do PSD para presidente da AR, elegeu um presidente da AR socialista. Se não o elegeu de forma direta, fê-lo de forma indireta. Foi esse o resultado da sua intervenção, da sua ação.

Aliás, veja-se a contradição.

O Chega, que sempre contestou a anterior presidência da AR, exercida pelo polémico socialista Santos Silva, veio agora permitir, pela sua tomada de posição, que a próxima presidência não seja toda ela assumida pela força que venceu as eleições, mas que a presidência seja dividida com a 2ª força política com assento na AR, uma presidência que na segunda metade da legislatura será exercida por um deputado socialista.

Foi este o resultado, lamentável, da ação do Chega. Não outro.

Em política é necessário medir o resultado das ações e o Chega, muito provavelmente, não terá calculado as consequências da sua ação.

Mas não será de estranhar, esta forma de agir, é o ADN daquele partido.

No final, o candidato do PSD para a presidência da AR, José Pedro Aguiar Branco, acabou por ser eleito, na 4ª votação, com 160 votos, obtendo assim uma larga maioria.

Por outro lado, terão sido os deputados do PSD que permitiram que o Chega viesse a ter nesta legislatura uma vice-presidência na AR, porquanto o candidato do Chega foi eleito com 129 votos, bastante mais do que o que o Chega representa nesta Assembleia. Entenderam 79 daqueles deputados que as vice-presidências devem estar na posse dos maiores grupos parlamentares, daí terem permitido que o candidato do Chega fosse eleito.

Os portugueses devem, pois, registar quem contribuiu para a confusão e quem esteve do lado da solução.

Ultrapassada a questão da eleição da Mesa da Assembleia da República, e com o clima político mais calmo, foi dado a conhecer os nomes dos novos 17 ministros, e para a semana teremos a posse do novo Governo.

Agora é hora de apelar ao espírito reformista do governo e por a máquina governativa a funcionar, porque é essencial que as ações do governo façam silenciar as oposições.

Até para a semana

Rui Mendes

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