Eleições Europeias – Os resultados

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 31 Maio 2019
Eleições Europeias – Os resultados
  • Rui Mendes

 

 

No passado domingo realizaram-se eleições para a escolha de deputados para o parlamento europeu. Vamos escalpelizar os resultados eleitorais.

 

Leitura dos resultados

Grosso modo os resultados de 2014 mantiveram-se em 2019.

Em 2014 o PS venceu as eleições europeias com 31,5% (correspondente a 1 milhão e 33 mil votos). Em 2019 tornou a vencer com 33,4% (equivalente a 1 milhão, cento e seis mil votos).

A coligação PAF (PSD e CDS) obteve 27,7% em 2014 (909 mil votos). Em 2019 a soma das votações de PSD e CDS dá 28,1% (932 mil votos).

Em 2019 PS, BE e PAN ganham, cada um, 1 eurodeputado. CDU perde 1 e MPT perde os dois europdeputados que havia elegido em 2014.

 

Leitura politica

Claramente que se fixa o voto à esquerda.

A vitória do PS não tem uma dimensão muito superior à que obteve em 2014. Apelidar a vitória de 2014 de “poucochinho”, e a vitória de 2019 de “grande vitória do PS”, tem algo de irónico.

Mas falemos dos vencedores e dos vencidos.

Como vencedores o PS, que ganha as eleições, ganhando em 17 distritos do continente, em todas as ilhas dos Açores e em 2 concelhos da Madeira, o BE que mais que duplica a votação de 2014, ganha mais de 175 000 votos, e o PAN que passa de 1,7% em 2014 para 5,1% em 2019.

Os vencidos foram a CDU com perdas de mais de 188 000 votos, existindo fuga de votos da CDU para o BE, passando a CDU a representar em 2019 apenas 6,9%, quando em 2014 representava 12,7%. O MPT que pura e simplesmente desaparece.

O centro direita que não consegue crescer em eleitos, apresentando apenas um ligeiro crescimento em votos expressos, mas que coloca este bloco politico com um papel pouco relevante.

 

Leitura da abstenção

É evidente o desinteresse da maioria em votar. Portugal está no grupo dos paises em que a abstenção foi mais elevada, e em contraciclo com a maioria dos paises europeus que viram nestas eleições aumentar o número de votantes.

A abstenção subiu para 69,3%, mais 3,1 pontos percentuais do que em 2014.  Esta taxa é assustadora, não tendo votado cerca de 7 milhões e quatrocentos mil eleitores, ou seja, votaram somente cerca de 3,3 milhões de eleitores. Convenhamos que é muito pouco para uma democracia dita madura.

Mas quando assistimos à desvalorização das pessoas, como é o caso dos professores e de tantos outros, à perda da qualidade dos serviços públicos, observável na segurança social, na saúde, na educação, na justiça, e em tantas outras áreas.

Quando os casos de corrupção e o tráfico de influência nos são dados a conhecer quase diariamente pela comunicação social, havendo hoje uma percepção pública de que a corrupção é um imenso problema da nossa sociedade, talvez já se compreenda porque existe este afastamento entre o cidadão e a participação na vida pública, particularmente no cumprimento do seu dever de votar.

 

A realidade é que este país é bem diferente daquele que os nossos governantes nos querem vender.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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