Eleições francesas

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 12 Maio 2017
Eleições francesas
  • Rui Mendes

 

 

O resultado das eleições do passado domingo foi o esperado.

Macron venceu com 66,1% dos votos a segunda volta das eleições presidenciais francesas.

Estas eleições foram importantes para a Europa, porquanto vence as eleições um candidato defensor do projecto europeu.

Num tempo em que a Europa vive múltiplas pressões é importante que o projecto europeu venha a ser sucessivamente confirmado pelos povos europeus. E este ano quer holandeses, quer agora os franceses, foram absolutamente claros nas escolhas que tomaram.

E para Portugal o resultado tem ainda um efeito mais significativo, porque França é o país europeu que acolhe a maior comunidade de emigrantes portugueses, superior a meio milhão.

Também porque França é o segundo país para onde Portugal mais exporta e o terceiro país donde Portugal mais importa, sendo por isso um país de fundamental importância nas relações comerciais de Portugal.

A França foi o mercado que, em 2016, mais gerou receitas de turismo para Portugal, representando 18% do total.

Por último, porque a França é uma peça primordial da construção europeia, e a UE não sobreviveria se porventura a França abandonasse o projecto europeu.

Uma parte muito significativa dos votos recebidos por Macron foi dada por rejeição a Marine Le Pen. Houve um efeito de voto útil em Emmanuel Macron.

Não serão por isso votos que Macron possa contar nas eleições legislativas que se realizarão em junho, as quais irão definir a constituição do parlamento francês e clarificar o espaço politico que os partidos mais tradicionais possuem.

Estas legislativas também irão aclarar a base parlamentar com que Macron poderá contar, sendo que a sua governação dependerá muito do resultado destas eleições parlamentares

Mas também importará aqui referir que a França possui um voto que é contrário à União Europeia, contrário à livre circulação de pessoas e bens, contrário à moeda única, favorável ao fecho de fronteiras e ao bloqueio da entrada de migrantes no país, e favorável ao proteccionismo económico, que foi defendido por cerca de 11 milhões de eleitores.

E os dirigentes europeus devem saber interpretar estes votos para que estas pessoas tenham a tranquilidade suficiente para defender o projecto europeu, e não votar contra um projecto que é um factor de paz e estabilidade da Europa.

Num mundo cada vez mais globalizado os efeitos das diferentes eleições assumem também consequências globais, conforme nós portugueses bem o sabemos, daí que o resultado destas eleições não nos será indiferente.

Até para a semana

Rui Mendes

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