Emergência nos Cuidados Primários

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 05 Maio 2022
Emergência nos Cuidados Primários
  • Alberto Magalhães

Em 2015, existiam 1 milhão e 45 mil utentes sem médico de família. Sete anos volvidos, apesar da promessa de António Costa de resolver o problema no anterior Governo; apesar do esforço desse Governo em aumentar os efectivos nos cuidados de Saúde Primários – e em 2018 chegou a haver “apenas” 690 mil utentes sem clínico geral atribuído – são já um milhão e 300 mil os cidadãos que não têm o seu médico de família designado.

Pior. Se, este ano, todos os médicos de família que atingem a idade da reforma meterem os papéis, o SNS perderá mil clínicos gerais. Diz a ministra da Saúde que o problema se tem agravado devido ao aumento do número de cidadãos que se têm inscrito nos centros de saúde nos últimos anos. Efectivamente, o SNS informa-nos de que existem, só no continente, 10 milhões e 510 mil utentes inscritos nos centros de saúde, o que excede em 165 mil a população registada nos censos de 2021 para o continente e ilhas.

Resta-nos congeminar se, no último ano, houve uma vaga de bebés no país, o retorno em massa de emigrantes, uma vaga migratória extraordinária e não só de ucranianos, ou se tudo não passa de um acumular de falecidos nos arquivos da Administração Central do Sistema de Saúde. Seja como for, toda a gente inscrita e com médico de família é a promessa, longe de cumprida.

E é certo que, tal como o ministério da Educação não agarra professores em número suficiente, o da Saúde não prende clínicos gerais aos Cuidados Primários. As baixas, num e noutro sector, são muito superiores às contratações. Não vale a pena o governo fingir que não se passa nada. Se não houver medidas fortes e correctas, a situação só vai piorar. E rapidamente.

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