Então e em números absolutos?

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 27 Janeiro 2021
Então e em números absolutos?
  • Alberto Magalhães

 

 

Trabalhar à la minuta torna por vezes imprescindível voltar atrás e corrigir. O que eu disse ontem, sobre os 500 mil votos de André Ventura, necessita, reparei hoje, de uma adequada correcção. Pois, se é verdade que nos distritos interiores do país, ele conseguiu ficar à frente de Ana Gomes, é preciso não esquecer – e eu, embalado por percentagens como os 20% de Portalegre, os mais de 17% em Bragança e quase 17% em Évora – esqueci, que todas estas percentagens dizem respeito a um reduzido número de eleitores, quando comparados com os números dos distritos do litoral, entre Viana do Castelo e Setúbal, onde se concentra a maioria da população portuguesa. Aí, e com excepção de Leiria, Ventura ficou sempre atrás de Ana Gomes mas, apesar disso, dois terços dos seus eleitores encontram-se lá, no litoral.

Em resumo, apesar do peso percentual da votação de André Ventura ser elevado nos distritos do interior, tornando parcialmente válida a análise que fiz ontem, é preciso relativizá-la, já que se refere apenas a um terço do meio milhão de votos no candidato do Chega. É indispensável, sobretudo, aprofundá-la, para tentar perceber quem são os outros que votam em Ventura e por que motivos o fazem.

De sublinhar que, enquanto no Porto e arredores Ventura fraqueja muito face a Ana Gomes (quem diga que por mercê de ele representar o Benfica e ela atacar a direcção do Benfica), no distrito de Lisboa, ela só consegue batê-lo em Lisboa-cidade, Oeiras e Amadora. De resto, de Cascais a Torres Vedras, de Loures à Azambuja, é ele que fica em segundo lugar.

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