Escola? não obrigado!

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 20 Maio 2020
Escola? não obrigado!
  • Alberto Magalhães

 

 

Em 1998, de entre os jovens portugueses de 15 anos, quando se lhes perguntou se gostavam da escola, 29% responderam que gostavam muito. Num inquérito feito em 28 países, apenas os jovens letões se mostravam mais satisfeitos. Em 2018, a mesma pergunta, feita agora em 45 países, colocou os adolescentes portugueses em 38º lugar, pois só 9,5% deram a mesma resposta.

A questão faz parte de um estudo, ‘Comportamentos de Saúde de crianças em idade escolar’, efectuado de quatro em quatro anos e coordenado em Portugal pela psicóloga Margarida Gaspar de Matos, que desabafou, anteontem, ao jornal Público, haver nos jovens portugueses “um fraco gosto pela escola, fraco em si mesmo e fraco na comparação com os restantes países”, embora a média dos 45 países, na sua maioria europeus, se fique pelos 21%, por sinal os que apresentam maior satisfação com a vida e “melhores indicadores de saúde mental”.

Sendo a escola uma instituição central na vida dos adolescentes e decisiva na formação das futuras gerações, eu creio poder dizer, sem exagerar, que algo vai muito mal e não só no reino da pedagogia. Claro que se pode argumentar com os progressos que os jovens portugueses, da mesma idade, têm obtido noutro inquérito periódico, o estudo conhecido como PISA. Só tenho medo de que a aparente contradição se deva ao declínio mais rápido da qualidade de ensino noutros países da OCDE, e não às melhoras caseiras.

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