Escolas abertas ou fechadas?

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 26 Fevereiro 2021
Escolas abertas ou fechadas?
  • Alberto Magalhães

 

 

A propósito do dilema das escolas, tenho recebido vários comentários, alguns de gente que prezo, com a seguinte questão: como é que pessoas que, no mês passado, bradavam pelo confinamento, agora bradam pela abertura das aulas? Senti a estocada e, como resposta, vou repetir a ‘Nota’ de 13 de Janeiro, para que se perceba que, sendo capaz de mudar de opinião, neste caso, não fui eu que mudei. Aqui vai, portanto, o que disse há um mês e meio.

“O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, defendeu ontem a manutenção do ensino presencial, considerando que o “custo do encerramento das escolas é bem superior ao risco que possa existir”. Disse ainda, segundo o jornal Público, que as escolas “provaram”, durante o 1º período, “ser um espaço de confiança e segurança”.

Compreendo o ministro na sua luta pelo ensino presencial. Em meados de Junho, eu lamentava aqui que “as crianças com contextos familiares económica e culturalmente mais pobres ou socio-emocionalmente mais difíceis, com menos possibilidades de seguir aulas virtuais, sobretudo aquelas para quem a escola já era lugar de fracasso e cansaço, ou melhor, de cansaço dos sucessivos fracassos”, ficassem sem escola mais de seis meses e que o ministério da Educação não parecesse nada incomodado com a situação. Noto que, em boa hora, o ministro compreendeu o enorme “custo do encerramento das escolas”.

Entretanto, vários estudos de especialistas britânicos, alemães e suíços, citados em dois artigos da edição de dia 11 do Público, apontam para que o papel da escola na propagação do vírus seja maior do que se pensava, sobretudo ao nível do ensino secundário. Então, se para os mais novos o ensino presencial é indiscutível, quer por razões pedagógicas quer por razões económicas, já para os alunos do secundário e do superior, a balança pende para o ensino à distância. Restam os alunos do 3º ciclo do básico, para os quais eu proporia ensino presencial, para os com mais dificuldades escolares e menos condições de estudo em casa, e ensino à distância, para os menos carentes de apoio ou com mais apoio familiar. Veremos o que o Governo decide”.

O Governo, dias depois, decidiu fechar tudo. Agora, não quer abrir nada. Quem é que mudou?

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