Esperança

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 14 Dezembro 2020
Esperança
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Estamos a chegar ao fim de 2020 e quando o ano começou nenhum de nós podia prever ou sonhar sequer que iriamos viver o ano mais estranho das nossas vidas.

Um ano em que, sem pré-aviso, a ficção se transformou em realidade e nós passamos a actores verdadeiros de um filme cujo final ainda desconhecemos, mas que desejamos seja um fim feliz.

Confrontados com a emergência de um novo vírus, desconhecido e sem tratamento, que alastrou por todo o mundo a uma velocidade inaudita, em menos de um ano quase cem milhões de pessoas infectadas, mais de milhão e meio de mortos, vimos economias quase paralisadas, ficámos fechados em casa, isolámos os nossos velhos, tememos aproximar-nos dos outros, não nos abraçamos.

Foi também a pandemia que pôs em evidencia as desigualdades sociais, e os mais desfavorecidos foram, como sempre acontece, as maiores vítimas e foi com a pandemia que ficou demonstrado que em situações de crise só conseguimos sobreviver e ultrapassá-las se o Estado intervier, se existirem robustos mecanismos de protecção social e dos trabalhadores e se tivermos serviços públicos fortes e bem preparados.

Logo no início da pandemia, o confinamento foi necessário para travar o contágio e para que os serviços de saúde pudessem organizar-se face ao desconhecido. Apesar dos sucessivos cortes e do esforço das políticas de direita para o aniquilar, foi o Serviço Nacional de Saúde público e os seus profissionais e não os grupos privados que, sem se pouparem a esforços, conseguiram conter a pandemia no nosso país e salvar muitas vidas.

Mas a capacidade de sacrifício não é ilimitada e para que consigamos vencer esta crise sanitária e preparar-nos para o futuro, não é possível ter apenas fracas intervenções pontuais nem contratar médicos e enfermeiros a 4 meses, o Governo terá de reforçar de forma estrutural os meios humanos e materiais do SNS.

Neste período ficou também patente a importância da escola Pública e dos milhares e milhares de professores que se reinventaram para continuar a ensinar e, logo que puderam, abriram as escolas tão essenciais para tantas crianças de famílias menos favorecidas para quem a Escola Pública é a única via para poderem ter esperança no futuro e que sem computadores nem pais com formação que os possam ajudar e muitas vezes com carências alimentares, sem a Escola ficaram para trás.

Como ficou patente a importância e o papel dos trabalhadores de serviços essenciais como os da higiene, dos transportes, os trabalhadores dos lares ou os das forças de segurança, que nunca confinaram apesar do risco e a quem o Estado regateia o pagamento de uma justa remuneração e dignas condições de trabalho.

Estranho e complicado este ano em que parece que nada se passou mas em que tudo se passou. Um ano de paradoxos, de dúvidas, de angústias, de solidão e de medos. Mas também um ano em que procuramos reinventar-nos, tocar a vida para a frente, e do qual temos de tirar lições para o futuro.

Estamos no fim do ano e com 2021 vem a esperança na vacina que combate o Covid.

Está nas nossas mãos fazer com que com esta vacina venha outra, a que combate o desemprego, a pobreza, a discriminação, a que nos ajuda a ter uma sociedade mais justa, mais igualitária e em que todos e todas, independentemente de género, raça ou origem possamos ser felizes.

A todos desejo Boas Festas e até para o ano!

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