Está tudo na mesma!

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 08 Novembro 2023
Está tudo na mesma!
  • Maria Paula Pita

Em 2020, em plena pandemia, o lema “vai ficar tudo bem”era comum a todos. Pela primeira vez, que tenhamos conhecimento, o mundo parou para fazermos face a um inimigo comum, o vírus SARS-CoV-2, comummente conhecido por Covid19.
Acreditava-se, então, através dos arco-irís desenhados pelas crianças, pelo exílio forçado das famílias em confinamento, pela comoção de ver os que estavam na linha da frente a combater o maldito vírus e pela música que todos trautearam “Andrà Tutto Bene”, que, no fim, iríamos vencer e tornar o mundo melhor.
Acreditámos que a paragem abrupta da nossa forma de viver e a luta de todos contra o vírus, proporcionaria lições valiosas à humanidade, ao refletir no isolamento a que estávamos sujeitos, uma oportunidade para pausa e correção dos rumos que seguíamos. À semelhança do que aconteceu na resposta ao vírus, as divisões entre os países tenderiam a desaparecer, desenvolver-se-ia uma estreita colaboração entre todos que permitiria sobreviver à pandemia e à crise social e económica subsequente, a alteração do modelo de sociedade baseado no consumismo e no lucro desenfreado, apostando num desenvolvimento sustentável e o fortalecimento de valores como solidariedade e empatia entre todos.
Em 2023, pós pandemia, o lema “Vai ficar tudo bem”, está fechado e escondido num local onde será impossível encontrar-se. O regresso à normalidade, trouxe o regresso da realidade e todos os bonitos propósitos foram esquecidos.
Neste momento, vivemos uma nova era de conflito e violência, com cada vez mais países envolvidos em guerras e, dentro do próprio território, em guerras civis cada vez mais frequentes.
Todos os dias entra pela nossa casa, com mais ou menos incidência, a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, entre Israel e o Hamas, a Síria, o Azerbaijão e a Arménia em Nagorno-Karabakh, as guerras civis no Iémen, na Etiópia, em Mianmar, na Colômbia (além da luta contra as drogas). No México, o governo tem lutado contra os poderosos e violentos cartéis do narcotráfico. Em África, países como o Mali, a Nigéria, Somália, Sudão, República Democrática do Congo, têm movimentos insurgentes que lutam contra o poder estabelecido. Todos resultam em graves crises humanitárias, milhões de deslocados, famintos e sem as condições básicas para viver com dignidade, onde a destruição e pobreza se alastram afetando os mais vulneráveis, idosos e crianças. Onde o lucro impera no negócio das armas e da droga.
Ao fim de cada dia, por esse mundo fora, empilham-se os mortos, tratam-se os feridos e espera-se o amanhã para tudo recomeçar.
Espero que nunca deixem de sonhar! Com um novo vírus que traga uma nova esperança ao mundo!
Em 2023, “está tudo na mesma” e “não está tudo bem”!

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