Estado da Nação

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 12 Julho 2019
Estado da Nação
  • Rui Mendes

 

 

Esta semana o parlamento debateu o Estado da Nação.

Este debate teve a particularidade de ser o último da legislatura, logo fazendo o balanço da governação e, de alguma forma, marcando a pré-campanha para as eleições legislativas que irão decorrer em Outubro.

Naturalmente que o debate situou-se muito na economia do país.

Como está a nação?

Reduziu-se o défice muito à custa de uma pesada carga fiscal, sem precedentes, e pela falta de investimento na administração pública.

A dívida está apenas disfarçada, porque com o crescimento do PIB parece que reduziu, quando de facto aumentou durante a legislatura. Uma divida pública que está colocada no exterior, porque os níveis de poupança interna são baixíssimos. Algo que é crítico.

Após várias injecções de capital o sistema financeiro mostra sinais de alguma estabilização, mas o mal parado não deixa de ser um problema. O custo dos serviços bancários aumentou em toda a banca, caindo sobre os cidadãos os custos dos erros praticados.

O emprego é onde os resultados são mais visíveis, reduziu-se significativamente a taxa de desemprego, aumentou-se significativamente o número de empregos. Contudo, muita da contratação é a prazo e os empregos criados apresentam baixas remunerações.

O sector público, sempre tão defendido pela esquerda, foi onde mais se falhou.

O desinvestimento nos serviços da administração pública tem sido significativo. A acrescentar a este desinvestimento temos que adicionar a crónica suborçamentação de muitos serviços e as cativações em orçamentos que já de si não apresentam margens, pelo que não será de estranhar a perda de qualidade e de capacidade de resposta dos serviços.

O sector da saúde é um caso evidente do que se acabou de referir. Os orçamentos aprovados não respondem às necessidades orçamentais dos serviços, pelo que toda a estrutura de funcionamento sofre limitações, para mais quando existe envelhecimento da população, logo uma maior necessidade de recorrer aos serviços de saúde.

O sector dos transportes não responde a mínimos exigidos. Fomenta-se, e bem, a utilização do transporte público, mas não se olha à capacidade e qualidade dos serviços que existem.

O que temos hoje é uma AP em que a qualidade dos serviços e os prazos deterioram-se de dia para dia, por culpa de uma governação, que não consegue assegurar que os serviços tenham as condições necessárias ao seu funcionamento, faltado recursos essenciais que permitam assegurar atribuições.

Só se entenderá os reparos da esquerda a esta governação por estarmos próximos de um período eleitoral, e porque cada um quer ganhar espaço político, porque todos eles deram o seu apoio a esta governação, doutro modo António Costa não teria sido o primeiro-ministro, pelo que são co-responsáveis pelo Estado da Nação.

Preparemo-nos que vamos entrar no período da fantasia, em que se vai prometer tudo aquilo que deveria ter sido feito, mas que por inercia, será prometido e empurrado para o próximo ciclo governativo.

 

O país está no estado que testemunhamos.

 

Boas férias e até Outubro

 

Rui Mendes