Estado de calamidade

Sexta-feira, 26 Novembro 2021
Estado de calamidade

 

Esta semana várias matérias geraram polémica.

Desde a apregoada crise nos Açores, que o bom senso dos deputados açorianos veio a anular, ao adiar da extinção dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), alegadamente por razões de necessidade do reforço do controlo fronteiriço derivado do aumento de novos casos de infetados com a Covid-19.

Este assunto é particularmente sério, quisemos acreditar que ao extinguir um Serviço as respetivas atribuições estariam devidamente asseguradas por um outro. Ao que parece não. É mais um dos desacertos do ministro Cabrita.

Este é assunto que ficará para o próximo Governo. Pode ser que esta prorrogação traga algum senso e mais reflexão sobre a questão.

O tema que dominou a semana foi, mais uma vez, a Covid-19.

Primeiro porque os números estão crescendo.

Mais infetados, mais internados, mais mortes. Bastante menos do que há um ano atrás, mas não deixam de estar crescendo.

Algo que não será de estranhar. Na Europa os números também estão em crescendo há várias semanas, tendo alguns países inclusive entrado em confinamento.

Segundo porque em Portugal foram abrandando e terminando medidas que, diz o bom senso, deveriam ter continuado, entre elas o teletrabalho.

Também porque se acreditou que a vacinação resolveria o problema. A vacinação dá-nos proteção e um sentimento de segurança. Poderá ser um importante meio de combate à Covid-19, mas a sua eficácia não é completa.

Para mais a anterior fase da vacinação correu francamente bem, encontrando-se esta nova fase com problemas, fruto de fecho de centros de vacinação e de alguma descoordenação que começa a ser visível, e por várias vezes já denunciada.

Com o aproximar do inverno e dos dois períodos festivos, Natal e fim-de-ano, o Governo viu-se novamente obrigado a implementar medidas mais restritivas. Algo que em boa verdade já todos estávamos aguardando. Ontem o primeiro-ministro comunicou as medidas que serão implementadas a partir do próximo dia 1 de dezembro.

Talvez pelo clima de extrema preocupação que se gerou em resultado deste agravamento da doença a ministra da Saúde proferiu declarações injustas e infelizes. Referiu a ministra esta semana na Assembleia da República sobre os médicos:

“Porventura outros aspetos, como a resiliência, são tão importantes como a sua competência técnica. Estas são profissões que exigem uma grande capacidade de resistência, enfrentar a pressão e o desgaste, e temos de investir nisso”

Não é a primeira vez que membros deste Governo se pronunciam em desfavor dos médicos, mas se houve quem durante todo este período da pandemia mostrou resiliência e força foram os profissionais de saúde, que estiveram na primeira linha da frente.

Não se pode nuns momentos elogiar a postura destes profissionais e noutros censurá-los.

Os médicos não merecem estas palavras por parte da ministra.

O que tem faltado na saúde é uma estruturação e uma melhor coordenação entre serviços e de meios. Se quisermos procurar culpados, não poderemos incluir os médicos que esses sempre cumpriram o papel que lhes cabe no SNS.

A partir do dia 1 de dezembro voltamos ao estado de calamidade. Voltamos ao estado em que o país está.

 

Até para a semana

 

 

 

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