Estado de Emergência Climática

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 14 Novembro 2022
Estado de Emergência Climática
  • Bruno Martins

 

 

Uma juventude que se levanta pelo seu futuro, é uma juventude que merece ser levada a sério. Eu levo muito a sério os apelos de centenas de jovens que ocuparam pacificamente 4 universidades e duas escolas secundárias, na passada semana, apelando ao fim dos combustíveis fósseis até 2030, à aposta na eficiência energética e exigindo a demissão do ministro da Economia.

Mais do que os levar a sério, resgato esperança no futuro. Saber que há jovens que não se acomodam, que têm a sensatez e a responsabilidade de exigir um mundo melhor e ecologicamente sustentável enche-me a alma. Estou com eles e elas incondicionalmente.

As ocupações culminaram com uma marcha no passado sábado exigindo uma transição climática justa que assegure o nosso futuro enquanto espécie. O poder económico e o poder político (na sua larga maioria) têm-se recusado a ouvir os activistas climáticos, apostando na hipocrisia e nas promessas ocas e vazias. É tempo de mudar. E estes jovens sabem bem como esse tempo chegou e não estão dispostos a desistir.

Mas há quem não tenha aprendido nada. Infelizmente há muito bafio nos mais diferentes órgãos de poder. E tivemos dois exemplos bem claros desse bafio que infecta a nossa democracia. Um desses exemplos veio da direção da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que chamou a PSP para retirar à força jovens que ocupavam pacificamente a sua faculdade. Polícia na Universidade para amordaçar estudantes faz-nos recordar tempos demasiado tristes. Outro exemplo bafiento vem do ministro da Economia, que confrontado com a marcha que parou em frente à Ordem dos Contabilistas onde se encontrava, decidiu abandonar pelas traseiras e não dar uma palavra aos jovens. Um ministro que não dirige uma palavra a jovens que apresentam um caderno de encargos justo, que foge cobardemente, é um ministro que de pouco serve à democracia.

Mas também foi uma semana em que tivemos uma lição do diretor da Escola Secundária António Arroio que se recusou a chamar a Polícia à escola que dirige e que disse de forma clara: “Nós nunca estaremos contra alunos que querem um mundo melhor”. Assim como não estiveram contra estes alunos tantos pais e mães que deram a mão aos seus filhos nesta luta, e tantas outras pessoas que pessoalmente ou à distância demonstraram a sua solidariedade a estes jovens.

Estamos perante um desastre climático anunciado e amanhã pode ser tarde de mais para agir. À emergência responde-se com urgência. Os jovens perceberam a urgência. Será que não está na altura de percebermos todos e todas?

Até para a semana!

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