Este tiro, não queremos!

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 28 Junho 2017
Este tiro, não queremos!
  • José Policarpo

Os Deputados do partido social democrata à assembleia da república apresentaram um projeto de resolução onde defenderam que o trajeto da linha ferroviária entre Sines e o Caia devia compreender três estações. Em Vendas Novas, em Évora e uma terceira que abrangesse os concelhos de Estremoz, Borba e Vila Viçosa. Este projeto de resolução fora chumbado com os votos contra do PS, da CDU e do Bloco.
A linha ferroviária entre Sines e o Caia é estratégica para a afirmação internacional do país pelas razões que se prendem com a importância do porto de Sines nas ligações marítimas entre a Europa e os continentes Americano e o Asiático. Também não será despiciendo o último investimento que fora levado a cabo no canal do panamá, tornando-o mais adequado ao movimento e ao volume dos cargueiros que atravessam esse canal na ligação dos oceâneos atlântico e pacífico.
Ora, as importações e as exportações dos países europeus vão seguramente beneficiar na sua competitividade com a ligação ferroviária entre Sines e o caia. No entanto, no que concerne às empresas localizadas no distrito de Évora, se não forem construídas estações localizadas junto dos três polos mais industrializados do Alentejo Central: Vendas Novas, Évora e nas zonas dos mármores, muito dificilmente o distrito de Évora e as empresas aqui sedeadas beneficiarão desta infraestrutura.
Por isso, do meu ponto de vista, é absolutamente incompreensível que os deputados, inclusive os eleitos pelo distrito de Évora, da CDU e do PS, tenham votado contra o projeto de resolução apresentado pelo Partido Social Democrata. Este voto contra revela uma de duas: ou os deputados do PS e da CDU têm uma visão obsoleta da realidade e completamente ultrapassada, ou, estarão de costas voltadas para o distrito que os elegera e prestaram desse modo um péssimo serviço.
Por último, se o governo alinhar pelo diapasão destes deputados, ignorando a importância estratégica que tem a construção das referidas Estações no trajeto ferroviário Sines/Caia, contribuirá ainda mais para o acentuar do fosso existente entre a competitividade do litoral e o do interior do país. Por isso, ainda vai a tempo de “corrigir o tiro”.

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