Estraçalharam a Geringonça

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 21 Outubro 2020
Estraçalharam a Geringonça
  • Alberto Magalhães

 

 

A uma semana da votação do Orçamento do Estado, a Geringonça parece cada vez mais estraçalhada pela mão dos seus progenitores. Há quem lembre que, com a aproximação das eleições de Outubro do ano passado, os afectos entre as partes já não eram os mesmos. BE e PCP, com receio de serem engolidos pelo PS, trataram de dificultar-lhe a almejada maioria absoluta. António Costa, tendo saído reforçado das eleições e sentindo os seus aliados geringonceiros mais debilitados, jurou-lhes renovado amor, mas recusou-se a ir ao registo assinar o contrato de casamento.

Agora, tal como se aceitou a tese de António Costa, de que a inclusão do BE e do PCP no arco da governação era possível e desejável, teremos de conceder razão a quem augurava um futuro sombrio para a tal Geringonça. Para além da demonstração factual por esta coreografia pseudo-negocial, que dura há meses e se vai agudizando, por duas outras razões: em primeiro lugar, mercê dos vasos comunicantes entre o pessoal do PS e o do Bloco. Muitos militantes do PS estariam bem no Bloco e vice-versa…e isto é ainda mais verdadeiro se falarmos dos eleitores de ambos os partidos. Por outro lado, porque a natureza de Bloco e PCP é, por mais que tentem disfarçar (e nem todos tentam), marxista-leninista, anti-capitalista, anti-sistémica, anti-democracia liberal e, tal como o escorpião da história, não lhes é possível contrariar a sua natureza.

Em resumo, o PCP tem uma difícil escolha entre sustentar o governo socialista e ser abandonado pelos que o querem como contra-poder ou arriscar-se a subir a parada, juntando-se ao mergulho de cabeça do BE, que, aparentemente, está disposto ao suicídio. Digo aparentemente porque o Bloco pode estar a contar, precisamente, com a abstenção dos comunistas. Confusos? Eu também e, se não me engano, Catarina e Jerónimo também. Ah, e Costa!

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