Eu também quero

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 03 Maio 2019
Eu também quero
  • Alberto Magalhães

 

 

Sendo impossível, numa breve nota como esta, dar conta de tudo o que vai mal no triângulo escola, família e aluno, não posso deixar de salientar um contexto de loucura burocrática, de programas delirantes e de falta de regras e limites consistentes, que tiram aos professores a vontade de ensinar, aos alunos a vontade de aprender e obrigam o tempo familiar a escolarizar-se.

O que eu sei é que os sindicatos de professores, com Mário Nogueira ao leme, e a conivência involuntária dos sucessivos governos, têm conseguido desviar as atenções dos problemas graves que afligem a escola, centrando-as nas carreiras, nas avaliações, nos direitos e nas remunerações dos professores.

Agora, apesar das graves advertências do ministro das Finanças, Mário Centeno, PSD, CDS, PCP e BE, uniram-se no Parlamento para aprovar os tais 9 anos, 4 meses e 18 dias cuja reposição os professores, em modo de mantra, têm insistentemente exigido. À esquerda do PS, como é costume, não há problema financeiro que resista à ladainha populista “se há dinheiro para os bancos, também há de haver para os trabalhadores”. À direita, a má consciência pode ver-se nesta declaração do CDS (e cito): “Não é verdade que o CDS tenha hoje aprovado o pagamento de tempo integral dos professores. Essa proposta foi chumbada com o nosso voto. Aprovou-se apenas o princípio de que os professores terão direito à contagem integral do tempo congelado mediante negociação com o governo”.

Cabe agora a cada trabalhador, prejudicado na sua carreira nos anos da Troika, pedir a reposição integral dos direitos, remunerações e regalias, que estão em falta. Eu também quero.