Europeias 2019

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 12 Abril 2019
Europeias 2019
  • Rui Mendes

 

 

A 26 de maio serão realizadas eleições para o parlamento europeu, algo que deveríamos encarar com naturalidade, se atendermos que Portugal já integra a União Europeia desde 1986.

Mas estas eleições irão acontecer num quadro muito especial.

Elas ocorrem numa envolvente de saída de um dos seus membros, algo inédito na UE, estando assim criado um ambiente de stress político.

A data e de que forma o Reino Unido sairá da UE é algo envolto em incerteza, porque os deputados britânicos não conseguem chegar a uma concordância que permita a saída da UE com um acordo, algo fundamental para reduzir os impactos económicos e sociais da saída.

O Brexit tem sido o tema que tem ocupado toda a comunicação social, abafando todos os demais problemas europeus que subsistem, mas que por terem o seu espaço reduzido na comunicação social parece que deixaram existir ou de preocupar os europeus.

Mas não.

A Europa vive um conjunto de outros problemas que têm sido fracturantes e que, em contexto eleitoral, importará ouvir o que cada candidato pensa sobre estes temas.

Falamos dos problemas causados pelo endividamento excessivo de alguns dos países da UE, entre os quais está Portugal, da queda do crescimento económico, dos refugiados e migrantes e do terrorismo islâmico. Especialmente estes.

Mas também como aproximar o projecto europeu aos cidadãos europeus, e como se poderá reduzir o antieuropeísmo, que tem ganho um espaço que nos deverá a todos preocupar.

A acontecer a saída do UK da UE a União ficará territorialmente menor e perderá importância económica e política, o seu principal parceiro militar, perdendo também o seu segundo contribuinte líquido, pelo que a UE ficará necessariamente diferente.

Importará pois que aqueles que defendem o projecto europeu o façam com clareza, e mostrem por que razão o projecto europeu é fundamental para a paz, e para o equilíbrio económico e social da Europa, sendo elemento promotor de um desenvolvimento económico e social mais justo e equilibrado dos países que integram a UE.

A participação dos europeus nas eleições tem vindo a reduzir-se, o que é um sinal claro do afastamento dos cidadãos. Nas últimas eleições, em 2014, a taxa de abstenção chegou aos 57%, o que quer dizer que os cidadãos não reconhecem a importância das políticas europeias, tal como não compreendem a influência do papel que os órgãos da UE, no caso do Parlamento Europeu, têm no dia-a-dia da vida de um qualquer cidadão europeu.

Daí a importância de uma campanha que seja dirigida para os cidadãos e que aborde problemas europeus, condição para que aqueles entendam a necessidade de votar, e para que a abstenção não atinja uma percentagem que não dignifica a democracia.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes