Europeias – primeiro debate

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 03 Maio 2019
Europeias – primeiro debate
  • Rui Mendes

 

 

A SIC acolheu no dia 1 de maio o primeiro debate televisivo das eleições europeias, no qual participaram os cabeças-de-lista de seis forças politicas (PS, PSD, CDS, CDU, BE e PDR).

É importante que estes debates aconteçam para que os portugueses entendam o que defendem e o trabalho que fazem os deputados que representam Portugal no parlamento europeu, e para que assim possa existir uma maior participação dos portugueses nos atos eleitorais para o parlamento europeu, os quais têm sido caracterizados em Portugal por elevadas taxas de abstenção.

Foram vários os temas debatidos, desde temas nacionais até à redução dos fundos europeus e à situação da Venezuela.

Em todos eles o debate foi feito com alguma intensidade, contudo o tema dos fundos europeus foi especialmente díficil para o candidato socialista, o qual tinha esta pasta quando integrava o Governo e, talvez por isso, não conseguiu, ou não quiz responder com a clareza que se exigia. Quando as respostas não são claras é porque se pretende esconder algo. Cremos que será o caso, porque a redução de fundos europeus custará votos.

Mas o candidato socialista também foi confrontado com os atrasos na execução da ferrovia e com o seu passado governativo a ser associado à governação de José Sócrates, algo que também não o deverá favorecer.

A Venezuela foi um tema que dividiu posições. Aliás, aqui os candidatos acompanharam as posições que os partidos que os apoiam têm assumido sobre a questão da Venezuela, tendo havido acusações às posições assumidas pelos diferentes Governos (actual e anteriores), particularmente no que se refere às relações comerciais estabelecidas.

As sondagens vão dando alguma informação sobre as intenções de voto e os candidatos que mostraram mais ansiedade foram aqueles em que as sondagens mostram uma tendência de queda dos seus partidos.

Mas existe aqui um dado que importará dar atenção. Todas as 60 sondagens realizadas desde a data das últimas eleições legislativas (4.out.2015), dão ao conjunto dos partidos sem representação parlamentar uma intenção de voto abaixo dos 10%.

Contudo, a partir da sondagem da Aximage de 2 de setembro de 2018, 9 das 12 sondagens entretanto realizadas, dão ao conjunto daqueles partidos intenções de voto superiores a 10%, podendo aqui haver algum efeito de intenção de voto nos novos partidos.

O resultado das eleições não é mais do que a reação dos cidadãos sobre a forma como o país é gerido, sobre as politicas seguidas, sobre a percepção da qualidade dos serviços públicos e sobre os resultados conseguidos.

A queda dos socialistas acontece porque, pese embora a positividade do discurso e do inequívoco apoio do Presidente da Republica, existe um evidente clima de tensão politica, uma perda de qualidade e de resposta dos serviços públicos, e muitos dos resultados ficam aquém do que seria esperado. Existe uma prática política governativa que se pode resumir no empurrar os problemas com a barriga.

 

A campanha eleitoral inicia-se a 13 de maio e a 26 teremos o veredicto. Até lá que haja elevação, é o mínimo que se exige.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes