Evitar o alarmismo social

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 06 Março 2020
Evitar o alarmismo social
  • Rui Mendes

 

 

O surto do coronavírus que se tem expandido a partir da China tem preocupado a OMS e as autoridades de saúde dos diferentes países.

Se é fundamental transmitir informação sobre o novo coronavírus, também é necessário manter as pessoas sem lhes dramatizar o problema, para que cada um possa manter a normalidade da sua vida quotidiana, ainda que necessariamente cumprindo as práticas de prevenção e controlo de infecção recomendadas.

O coronavírus instalou o medo na sociedade portuguesa.

Algo que é compreensível porque se projetaram cenários dramáticos, porque se lançaram algumas recomendações que criaram níveis elevados de preocupação nas pessoas.

Não estivesse a saúde no estado em que está e os portugueses certamente estariam mais descansados.

Não fossemos nós confrontados quase que diariamente com casos dramáticos que acontecem nos diversos serviços de saúde públicos e seguramente que os portugueses não estariam tão preocupados.

Tivessemos nós portugueses seguros que os serviços de saúde estavam apetrechados com os meios necessários para atacar o surto epidémico deste novo vírus e decerto que os portugueses confiariam no sistema.

Tivesse a Linha SNS24 uma outra resposta e os portugueses teriam outra tranquilidade.

Só que o medo que se instalou é devido não só ao receio de um surto em grande escala como, também, pela falta de confiança no sistema de saúde.

Pouco interessa o que os nossos governantes nos digam quando os portugueses têm a noção da realidade. E a percepção que têm do SNS é o que realmente interessa.

De facto, não se fala noutra coisa senão no coronavírus.

A corrida à compra de máscaras descartáveis e gel desinfectante, ao ponto destes produtos se esgotarem no mercado, é um bom exemplo da falta de senso por parte de alguns, e de se açambarcarem produtos sem razão que o justifique.

 

Os efeitos deste surto serão sentidos em vários sectores.

Na economia o impacto será grande.

A economia mundial que já apresentava sinais de abrandamento terá um crescimento necessariamente revisto em baixa.

Portugal terá que arranjar respostas orçamentais que permitam atenuar os impactos vindos do exterior, desde logo pela quebra na exportação para alguns países, mas também respostas que permitam apoiar os sectores da economia nacional que já estão a ser atingidos, desde logo o sector do turismo, pese embora se saiba que Portugal terá uma limitada margem orçamental, porque o país ainda vive os efeitos da última crise que nos atingiu.

A seu tempo virão os custos desta crise.

É pois importante que todos encaremos este problema com preocupação, mas também com tranquilidade e com alguma naturalidade, cumprindo as informações das autoridades de saúde, para que possamos atenuar, tanto quanto possível, os efeitos negativos na economia, e não criar alarmismo social.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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