Existem muitas mulheres presas em Portugal?

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 03 Abril 2019
Existem muitas mulheres presas em Portugal?
  • Alberto Magalhães

 

 

Hoje, poderia voltar a falar do Brexit e de como a senhora May pede agora mais um adiamentozinho à UE, para poder combinar-se com o líder trabalhista, mas não há paciência.

Também poderia falar da Comissão Parlamentar da Transparência, que quer dar permissão aos lobistas encartados para esconderem as entidades que defendem e quer manter a opacidade quanto às incompatibilidades de advogados-deputados. Mas é assunto indigesto.

Poderia falar da oligarquia partidária no Partido Socialista que, desautorizando o “no jobs for the boys” de António Guterres, se manifesta em empregos para rapazes e raparigas, cumprindo em plenitude a tão desejada igualdade de género no acesso aos lugares de topo. Mas hoje, Ambrósio, apetece-me algo mais leve.

Brincadeira de números. Não sabemos o número de afro-descendentes que residem em Portugal, mas ouvimos recorrentemente dizer que nas prisões estão sobre-representados. Nos EUA a situação é idêntica e sabemos que sendo os negros apenas 13% da população americana, eles constituem 37% da população prisional. A situação é, evidentemente, usada para demonstrar o racismo da justiça norte-americana e, analogamente, da portuguesa.

Pois bem, hoje no jornal Público encontrei o seguinte título: “Portugal com taxas altas de reclusão de mulheres na Europa”. Traduzindo para português minimamente decente, enquanto na Europa as mulheres rondam os 5% das populações prisionais, em Portugal – imagine-se! – chegam aos 6,4%. Traduzindo agora por miúdos: Sendo 49% da população do país, os homens representam apenas 93,6% da população prisional. Se me apetecesse fazer demagogia podia dizer que, em Portugal, há 14 vezes e meia mais presos que presas e podia gritar: “Abaixo a misandria e a androfobia”.

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