Facturas por pagar

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 25 Janeiro 2019
Facturas por pagar
  • Rui Mendes

 

 

Queiramos ou não o país não tem margem orçamental. Não a tem desde há muitos anos.

Este Governo foi-nos dando sinais que não correspondem à realidade.

Desde logo porque as medidas tomadas são anunciadas como se fossem para ter imediatamente os seus efeitos, mas os seus impactos financeiros são sempre arrastados para bem mais tarde. Nalguns casos anos mais tarde.

Recentemente várias notícias vão-nos dando a conhecer o verdadeiro impacto desta governação.

Com o passar do tempo as facturas vão sendo apresentadas, vamos conhecendo a sua dimensão e o crescimento da despesa a que elas se referem, sem se saber em muitos casos como e quando serão pagas. E são muitas as facturas de que falamos.

A factura da dívida pública, dívida que nominalmente tem vindo sucessivamente a aumentar;

A factura das dívidas do Serviço Nacional de Saúde (SNS);

A factura da redução para as 35 horas, resultando na falta de recursos humanos, em especial no SNS;

A factura do descongelamento das carreiras do regime geral, que só terá os seus efeitos totais no orçamento de 2020 (em 2018 e 2019 os seus efeitos são apenas parciais);

A factura da redução das propinas;

A factura apresentada pelas farmácias, e tantas outras.

A táctica desde Governo foi carregar nos impostos, inventar taxas, e cativar bastante nos orçamentos dos ministérios. Foi o plano B deste Governo, ainda que nunca o tenha assumido. Para além do mais ainda beneficiou de uma conjuntura externa favorável, e de uma balança comercial positiva fruto do trabalho do anterior governo.

O que temos assistido é o assumir de encargos, mas empurrando os seus efeitos financeiros para um futuro tão longínquo quanto possível.

Portugal é um país altamente endividado e com este Governo a divida nominal tem-se agravado. Mas quem ouve os nossos governantes parece ser o contrário. Parece que se resolveu um problema quando ele agravou-se.

Hoje o país não está melhor. Temos uma administração com respostas mais lentas, uma administração com funcionários menos motivados, uma administração com menos organização. Temos uma economia a decrescer.

Tudo consequência de uma política que não promove o desenvolvimento e a coesão do país, em que apenas se vai distribuindo aquilo que os elevados impostos o permitem, adiando a resolução de problemas e agravando encargos para futuros orçamentos.

Os portugueses logo que se aperceberam que as promessas deste Governo foram levadas pelo vento, iniciaram um período de greves por todo o lado, paradoxalmente greves apoiadas pela ala esquerda dos que apoiam o Governo, greves que já todos nós percebemos que o governo é impotente para resolver.

Perdeu-se o sentido dos equilíbrios, porque este Governo gere apenas momentos, não o desenvolvimento e crescimento do país.

Ainda assim a linguagem dos nossos governantes é substancialmente diferente daquela com que iniciaram a governação, porque já perceberam que não acreditamos na ilusão que nos criaram, e porque importará pôr alguma água na fervura para que os diferentes grupos profissionais abrandem a sua contestação. Só que agora talvez já seja tarde…. porque quem contrai dívidas deverá ter que as pagar.

 

Até para a semana

Rui Mendes