Falem bem ou falem mal, mas falem de mim

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 06 Julho 2020
Falem bem ou falem mal, mas falem de mim
  • Alberto Magalhães

 

 

Parece que foi Oscar Wilde que disse que a única coisa pior do que falarem de nós é não falarem de nós”. Provavelmente, o grande escritor inglês influenciou Henry B. King, que chegou a presidente da Associação Americana de Produtores de Cerveja, e que prosaicamente resumiu: “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

Várias pessoas, porventura cépticas em relação ao pragmatismo das frases que citei, têm questionado o meu silêncio em relação a André Ventura e ao Chega, alegadamente perigosos fascistas, que estariam prestes a tomar conta disto tudo. Acham esses amigos que é tarefa de todos os anti-fascistas, anti-racistas e anti-machistas, bater desalmadamente no personagem e no seu partido, quiçá seguindo o exemplo demolidor de Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República, que não perde uma oportunidade para antagonizá-los, fazendo o favor de os projectar mediaticamente.

André Ventura é um estudante aplicado de truques populistas (nós povo bom contra eles, elite degenerada e corrupta) e truques mediáticos. Exemplar, de manual, o truque do gesto ambíguo, de saudação, com o manifestante do lado a dizer: “André, baixa o braço que ainda te fotografam e dizem que fizeste a saudação nazi”, provocando os fotógrafos. Já vi essas fotografias em jornais, telejornais e redes sociais. Os que se revêem no Ventura, negam que o gesto seja fascista e censuram a maldade da interpretação; os que vêem no gesto uma afronta à democracia, denunciam-no o mais que podem, espalhando-o por todo o lado. Não me peçam para entrar nessa roda, mais que isto.

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