Fascismo nunca mais

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 25 Abril 2019
Fascismo nunca mais
  • Eduardo Luciano

À porta do último quartel do século vinte a ibéria era, na Europa, o último reduto de regimes herdeiros dos fascismos começados a construir na década de vinte. Em Portugal, apesar de uma suposta suavização da mão dura da repressão, mantinham-se no essencial as características que fundaram o regime com o golpe de 1926 e foram plasmadas na Constituição de 1933.
Quarenta e oito anos após o 28 de Maio de 1926, Portugal era um país sem esperança, a manter uma guerra colonial apenas com sentido para a meia dúzia de famílias que dominavam e exploravam a seu belo prazer.
A censura, a polícia política, um parlamentarismo de fachada habitado por serventuários do regime, matizados aqui e ali por um ou outro liberal. Um país onde saneamento básico, água canalizada, serviços de saúde e educação eram miragens para a maioria da população. Um poder local que era uma mera extensão do poder central, sem autonomia, sem escolha por parte das populações, sem a possibilidade de participação.
O 25 de Abril de 1974, resultado da luta de milhares de resistentes que deram a vida pela liberdade e da intervenção corajosa de um conjunto de jovens militares, libertou o país de uma ditadura tenebrosa ao serviço de uns poucos.
É preciso lembrar esta realidade num momento em que alguns sem memória e outros sem conhecimento enaltecem virtudes inexistentes e uma realidade ficcionada, como resposta a uma visão de degradação da democracia, empolada e manipulada pelos únicos que dela podem beneficiar.
Abril e as suas conquistas históricas, devem ser lembradas sempre, mas em particular nestes tempos de sombras e de ameaças

onde os fascismos crescem por esse mundo fora, dos Estados Unidos ao Brasil, da Ucrânia à Hungria, da Andaluzia à Itália, da casa do jovem sem esperança à casa do saudoso do tempo em que apenas os filhos das elites podiam aspirar universidade.
A palavra de ordem “fascismo nunca mais”, invocada em muitos momentos dos últimos 45 anos, talvez faça mais sentido que nunca e devemos afirmar frontalmente que o fascismo não se discute, não se tolera, não se subestima. Combate-se nas grandes lutas e nas pequenas provocações do dia-a-dia. Cada encolher de ombros é uma pequena traição aos que deram a vida pela liberdade.

Até para a semana