Fase da pandemia

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 26 Junho 2020
Fase da pandemia
  • Rui Mendes

 

 

O aumento de casos de infetados com a covid-19, particularmente na área de Lisboa, têm gerado nova onda de preocupação nas pessoas.

No país vamos assistindo também ao proliferar de focos da doença em vários concelhos, o que nos deixa cada vez mais apreensivos.

Ainda assim, seria expectável que com o progressivo desconfinamento o número de casos aumentasse, mas não de uma forma tão significativa.

Alguns casos aconteceram por total negligência das pessoas, que participaram indevidamente em festas, ignorando regras básicas de proteção à doença. Os resultados conhecem-se.

Contudo, a fase do desconfinamento foi pouco preparada. Não se perceberam muitas das decisões, muitas não têm qualquer explicação.

O discurso governativo tem sido titubeante.

Sabendo-se a forma de transmissão do vírus havia que assegurar que se conseguia manter os distanciamentos das pessoas em todas as situações.

Não é obrigar alguns setores da economia a terem de cumprir esse distanciamento e “isentar”, ainda que por inação, outros setores desse cumprimento. O setor dos transportes, principalmente na área da Grande Lisboa era, desde logo, um dos setores a que se deveria ter dedicado total atenção. Veja-se que uma pessoa só pode viajar, e bem, caso utilize máscara de proteção, senão a fiscalização atua. Mas essa mesma pessoa pode viajar num comboio sem que ninguém fiscalize o limite de passageiros, sendo corrente a sobrelotação na generalidade dos comboios.

Era, pois, essencial conseguir aumentar a oferta de modo a que o transporte público não fosse um facilitador na transmissão do vírus.

Agora o problema agravou. É um facto.

Entendeu o Governo retroceder no processo de desconfinamento apenas nas freguesias mais afetadas. Foi a forma que achou dever utilizar para conter a transmissão do vírus na comunidade. Cremos que será mais difícil executar novamente medidas de confinamento. Para além das pessoas estarem mais desgastadas, também estarão menos recetivas. Mas é fundamental que se diminuam os contágios.

Neste quadro terá de se entender as posições da Dinamarca, Grécia, Malta ou Reino Unido em dificultar a entrada de portugueses nos seus países. Estão simplesmente a proteger-se.

Aqui não interessam discursos de circunstância. O que interessa é os resultados do combate da pandemia. E eles variam bastante de país para país.

Já estamos no verão e a economia ainda se encontra bastante parada. Sendo certo que a evolução da economia portuguesa dependerá muito dos resultados que se atinjam com o combate à pandemia, porque a economia vive do fator confiança.

Para a semana abrem as fronteiras com Espanha, o que não deixa de ser um sinal positivo e um estímulo para a economia.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com