Felizmente é a Ómicron

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 29 Dezembro 2021
Felizmente é a Ómicron
  • Alberto Magalhães

Como quem não quer a coisa, surgem sinais de que as coisas estão a mudar. Não, não me refiro ao Benfica e à encomendação de JJ. Trata-se das subtis mudanças nos discursos dos especialistas, agora menos agoirentos e forçados pelos números a aligeirar os prognósticos. Pois começam a aceitar que a variante Ómicron é hiper-transmissível mas de menor severidade, como disse ontem o médico de Saúde Pública Bernardo Gomes, na RTP, chegando o epidemiologista Manuel Carmo Gomes a admitir ao Público que (e cito) “Se realmente [a Ómicron] é muito menos grave do que a Delta em populações muito vacinadas, como é a nossa, talvez faça mais sentido deixar que as pessoas se imunizem naturalmente”. Percebi bem? O super-confinador Carmo Gomes a sugerir que, estando vacinados, abandonemos todas as cautelas e nos deixemos contaminar?

Entretanto, a mudança custa a chegar ao ministério da Saúde e à DGS. As autoridades sanitárias puseram-se a exigir testes para as situações mais absurdas, mas não acautelaram o fornecimento dos ditos cujos para corresponder à procura. Quanto amor ao cinema ou ao teatro é necessário para passar 4 horas numa fila pró teste? Porquê o cinema e não a missa? Ou o comício partidário? Eis algumas das muitas perguntas que ouvi por estes dias. Face ao coro de protestos dos prejudicados pelas medidas disparatadas (ou será melhor dizer arruinados?), aumentou a desorientação e as regras que aparecem e desaparecem com uma lógica cada vez mais insustentável: ora é preciso teste para ir ao cinema, ora basta só estar vacinado. Hoje, a Lusa anuncia que a DGS também já prescinde de teste para os outros eventos culturais. Os testes voltam a ser precisos para almoçar nos restaurantes a partir de 1 de Janeiro, ouvi hoje de passagem. Mas – pensei eu – não eram já obrigatórios? Quem se entende no meio da barafunda?

Enquanto isso, os que descobrem estar infectados e tentam contactar a Saúde 24 não o conseguem e vão entupir os BU. Leio, num jornal de hoje, que o reforço da vacina ainda não chegou a 230 mil idosos. Felizmente, a Ómicron é amiga, caso contrário, em vez de estarmos em decretado ‘estado de calamidade’, estaríamos a braços com uma real calamidade.

Última Hora – Segundo a Lusa, já hoje, a DGS volta atrás e explica que, “por lapso” foi publicada versão desactualizada de uma orientação, não exigindo para eventos culturais, cinema incluído, senão o certificado de vacinação. Afinal, os testes são mesmo obrigatórios e a DGS uma casa de doidos e de doidas.

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