Fernando Medina parte a loiça

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 01 Julho 2020
Fernando Medina parte a loiça
  • Alberto Magalhães

 

 

Na segunda-feira passada, Fernando Medina, presidente da Câmara e da área metropolitana de Lisboa, em entrevista à TVI, resolveu ter um sobressalto dramático de preocupação e de indignação, pela alegada ineficácia da resposta da Saúde Pública face ao surto de novos casos de coronavírus na Grande Lisboa.

“Com maus chefes e pouco exército, não conseguiremos ganhar esta guerra” clamou Medina, quiçá cheio de razão, perante o aparente descontrolo da proliferação de novos casos, apontando para outro factor que, para além dos transportes públicos sobrelotados de que já falei, o poderá justificar: as falhas no rastreamento dos infectados.

Com efeito, sabendo-se de antemão que o desconfinamento levaria ao aumento de novos casos, seria de esperar que as autoridades de saúde pública se tivessem prevenido com a contratação e formação de centenas, se não milhares, de rastreadores, capazes de seguir em tempo útil o rasto do vírus, fazendo entrevistas atempadas aos novos infectados, inquirindo os seus contactos e possibilitando a sua testagem e o seu isolamento em tempo útil. Como disse Fernando Medina, “estamos num momento crítico, cada hora que passa e onde há inquéritos em atraso, testes que demoram tempo a fazer, e não há confinamentos bem feitos, é uma hora que aumenta o risco de isto correr mal”.

Só é pena, que o presidente da área metropolitana de Lisboa só se tenha dado conta do problema, depois de António Costa ter invectivado a ministra da Saúde, há uma semana atrás, na reunião com partidos e cientistas, tornando-a um alvo fácil para conversão em bode expiatório. A forma ovina como Marta Temido aceitou a desconsideração pública, também não abona.

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