Ferrovia Sines / Évora / Elvas – projecto de traçado

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 18 Novembro 2016
Ferrovia Sines / Évora / Elvas – projecto de traçado
  • Rui Mendes

 

Sábado passado Évora debateu o projecto do traçado da linha férrea Sines / Évora / Elvas numa audição em sede da Assembleia Municipal. Mais concretamente criticou o traçado da linha na sua passagem pela cidade de Évora.

Este projecto será de importância máxima para o país, estruturante para a região e de elevado valor para a cidade de Évora.

O desenvolvimento do projecto tem, desde 2003, sido manifestado como de elevado interesse, quer por Portugal quer por Espanha nas Cimeiras Luso-Espanholas, projecto que está enquadrado na Rede Transeuropeia de Transportes e do Corredor Atlântico, pelo que permitirá o acesso do país, pela ferrovia à Europa, podendo a ligação servir pessoas e/ou mercadorias.

Com este novo acesso o país ficará mais próximo dos mercados europeus.

Para os portos portugueses de Sines, de Setúbal e, também, de Lisboa será estratégico. Sines só poderá aproveitar todo o seu potencial enquanto porto com a construção da linha férrea, de forma a permitir o rápido escoamento de contentores, melhorando as suas condições concorrenciais.

Conhecem-se os resultados esperados com a construção deste corredor ferroviário, que se prende fundamentalmente:

com a redução da distância entre Sines e Elvas;

com a redução do tempo de percurso;

com a possibilidade de circulação com tracção eléctrica em todo o percurso;

com a possibilidade de circulação de comboios com 750 metros de comprimento;

com a possibilidade de aumento da circulação da carga rebocada; com a criação de uma linha ferroviária mais fiável e segura;

com uma disponibilidade da infra-estrutura ferroviária poder servir comboios de transporte de pessoas e/ou de mercadorias;

ser criada uma linha que permita a interoperabilidade ferroviária quer ao nível nacional, quer ibérica e, em consequência, permitir também a interoperabilidade ferroviária europeia.

Dito isto, estará mais que esclarecido a importância deste projecto, o qual se quer que seja de inquestionável valor regional e que não seja construído de forma a criar problemas.

E o problema estará precisamente no projecto apresentado pelas Infraestruturas de Portugal IP, o qual prevê o aproveitamento do traçado da anterior ligação do ramal de Estremoz para nele ser construída a futura linha ferroviária.

A “cidade”, através das suas forças políticas, algumas associações e, em especial, pelo Movimento de Cidadãos Évora Unida, mostrou a sua total discordância perante a proposta apresentada, e vez ver os prejuízos que a construção da linha férrea naquele ramal criará à cidade e a uma parte significativa da sua população, a qual ficará “isolada” da cidade, porquanto a linha irá limitar a facilidade de acessos na circulação dentro da cidade, como irá separar uma parte da cidade não permitindo futuramente o seu crescimento de uma forma integrada.

Esta será uma causa que deverá ser defendida a bem da cidade e dos eborenses, e será certamente por isso que terá havido um grande alinhamento na defesa da construção da linha, mas para que o seu traçado se afaste da zona urbana, de forma a não criar impactos negativos na cidade e na sua população, devendo a passagem pela zona de Évora trazer valor acrescentado e não um efeito nulo.

A decisão é política e é nesse campo que ela é esperada.

Até para a semana

Rui Mendes

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