Ficam aquilo que são os velhos

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 16 Agosto 2021
Ficam aquilo que são os velhos
  • Alberto Magalhães

Cada vez está mais na moda a “monotorização”, rivalizando já com a velha “monitorização” pois, ao contrário do que era hábito, já não há ninguém nos media com a função de monitorizar os pontapés na gramática. Também é hoje elegante pôr as simples pedras da calçada a ‘constituírem-se’ como ‘aquilo que seja’ um instrumento primitivo de agressão e por isso não estranhei que no site da autarquia eborense, na página Évora-a-cidade, actualizada a 21 de Janeiro, se afirmasse que (e cito) “Pela sua localização, Évora constitui-se como espaço charneira entre o litoral alentejano e a Estremadura espanhola” e, mais à frente, “a cidade assume claramente uma vocação patrimonial, cultural, universitária, e de serviços, com qualidade ambiental, que procura potenciar toda a área envolvente à própria cidade.” Claro que podiam ter salientado o desafio digital e a luta climática, mas, enfim, o politiquês está conseguido dentro do esperado ou, seguindo a moda, dentro daquilo que era o esperado.

O que me espantou no texto foram os números alegados para a população da cidade. Rezava assim: “na última década, a população de Évora, que na década anterior havia registado um aumento próximo de cerca de 800 habitantes, registou um aumento populacional de 77 habitantes apenas.” Ora, eu acabara de consultar os resultados preliminares do Censos 2021, que me diziam ter o concelho de Évora perdido, nos últimos dez anos, 3028 habitantes. Que, mesmo assim, a cidade tenha ganho 77 novas almas parece impossível. Mas adiante, atente-se que o concelho de Évora não perdia população desde o Censos de 1960 e repare-se que o Alentejo foi a região onde a população mais diminuiu, com um rombo de quase 7%. Só o concelho de Odemira aumentou o número de residentes, é bom de ver porquê.

Também Portugal, naquilo que é o seu todo (deixem-me brincar), perdeu população. 214 mil residentes, apesar de um saldo migratório positivo. Fazemos poucos bebés, embora gostássemos de fazer o dobro. Por isso, somos cada vez menos e cada vez mais velhos. Sobretudo no interior. Atrair migrantes – e até mesmo refugiados – em número significativo parece impossível. Os mais habilitados preferem países mais a norte. Os nossos jovens mais promissores rumam ao litoral e muitos seguem também para Norte.

Perante isto, que perspectivas e propostas concretas têm os nossos candidatos autárquicos? Esperamos por elas.

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