Fracos argumentos, força bruta

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 03 Março 2022
Fracos argumentos, força bruta
  • Alberto Magalhães

A Rússia invadiu a Ucrânia sem motivo válido? Bom, vejamos, não são os seus dirigentes uma cambada de nazis? Ah, foi em 1941, que a polícia ucraniana colaborou com os nazis no massacre de 34 mil judeus? Mas Zelensky, que é judeu e teve familiares mortos nesse massacre, deve pagar por isso? E então, a Ucrânia não queria aderir à NATO? Pois queria e Putin veio a dar-lhe razão, ao invadi-la. Já antes lhe dera razões, ao invadir a Geórgia e a Crimeia e ao apoiar os separatistas do Donbass.

A Rússia sentiu-se acossada, com a NATO a morder-lhe as fronteiras, a apropriar-se da área de influência russa? Mais uma vez, Putin acaba de dar razão a todos os países que não foram na conversa da imperial área de influência e trataram de aderir à NATO enquanto era tempo. Aliás, é preciso não esquecer que, em 1997, foi assinado um acordo entre a Rússia e a NATO, de seu nome ‘Acta Fundacional de Cooperação Mútua’, em que a Rússia aceita que os países junto da sua fronteira ocidental possam integrar a Aliança, comprometendo-se esta a não instalar armas nucleares nesses territórios.

Já antes, em 1994, fora assinado em Budapeste, entre a Federação Russa, os EUA e o Reino Unido, a que se juntaram, mais tarde, a França e a China, um Memorando garantindo a segurança da Ucrânia contra ameaças, ou uso da força, contra a sua integridade territorial ou a sua independência política.

Ou seja, é preciso muito descaramento para não perceber que as violações do direito internacional e o comportamento despudoradamente imperial, no caso da Ucrânia, têm vindo sempre do lado da Rússia de Putin.

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