Gastar sem critério – II

Nota à la Minuta
Terça-feira, 28 Setembro 2021
Gastar sem critério – II
  • Alberto Magalhães

Na semana passada, deu-me para falar sobre o dinheiro que, superfluamente, se gasta em Portugal, como se não tivéssemos uma dívida pública superior a 130% do PIB, em Junho deste ano. Tudo porque, no passado verão, andei por boas estradas desertas, passei por paletes de rotundas e fui travado por bué de sinais vermelhos em sítios aparentemente desertos. Um amigo exortou-me a ter cuidado com a ‘rezinguice’ e tratou de distinguir entre a dívida ‘boa’ (segundo ele, para fazer face às contrapartidas nacionais de investimentos europeus) e a dívida ‘má’ (resultante de empréstimos ao consumo). Tive de lhe responder, depois de pesquisar um pouco, que ele se enganava. Que, se juntássemos à dívida pública, a dívida de privados e de empresas, teríamos um total de 270% do PIB, no início deste ano. Uma brutalidade perigosa.

Aos exemplos que já dei, no sector rodoviário, deixem-me juntar o que os portugueses desperdiçam, no sector energético. Ao contrário do que se passa em países mais a norte, onde o sol escasseia, mas é aproveitado o mais que ser possa, nós, os ricaços do Sul, ricos sobretudo em luz solar, preferimos habituar os nossos adolescentes a, sempre que possam, saltarem da cama a meio do dia e deitarem-se altas horas. Para os mais endinheirados, isto significa fazerem tempo num qualquer bar, à espera das 2h ou 3h da manhã, para marcarem o ponto na discoteca, até à alvorada.

Em Évora, no entanto, poupa-se. Pelo menos nos bairros à volta do Centro Histórico, depois das nove da noite, é praticamente impossível beber um café e na rua não se vê vivalma.

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